Fogo nada amigo

Petrobras, programa nuclear, Embraer, empreiteiras com atuação no exterior. A lista continua crescendo, e os integrantes mostram ao menos um ponto em comum: afetam interesses de grandes países e grupos estrangeiros. A Embraer foi a última a entrar na relação. Uma denúncia feita em 2014 pelo Departamento de Justiça dos EUA foi ampliada no final do mês passado por uma delação premiada fechada com o Ministério Público do Rio de Janeiro. Mais um da longa lista de acordos que bombardeiam empresas brasileiras, para deleite dos concorrentes estrangeiros.

A Embraer é uma das poucas companhias de que o Brasil pode se orgulhar no exterior. Compete – e normalmente supera – empresas de aviação situadas no norte do planeta. Incomoda – e muito. Desenvolve tecnologia, exporta produtos com alto valor agregado, traz generosas e importantes divisas para o país. Privatizada em 1994, continua nacional, apesar de cerca de 21% de seu capital pertencer aos fundos norte-americanos Oppenheimer e Brandes Investments Partners. Tem um papel estratégico no sistema de defesa brasileiro, tendo fornecido, segundo o site da empresa, mais de 50% da frota da força aérea brasileira. Cerca de 20 forças aéreas no exterior também operam os produtos da companhia. A Embraer Defense & Security controla empresas fundamentais para a Estratégia Nacional de Defesa, como a Atech, em áreas que vão de radares a veículos aéreos não tripulados.

Pois, tal qual o programa nuclear brasileiro, está sendo bombardeado pelo fogo que deveria ser amigo. Enquanto isso, apesar de inúmeras denúncias, outras companhias – a Eletrobras é o exemplo menos discreto – passeiam incólumes pela Lava Jato e similares. Coincidências, claro.

Ladeira abaixo

A Folha, jornal de maior circulação do país, segundo o IVC, perdeu 48.331 leitores, na média diária, no primeiro semestre do ano comparado a igual período de 2015. O Globo, segundo na lista, perdeu 26 mil; Super Notícia, 43.188; Estadão, 37.291; a Zero Hora teve perda de quase 20 mil e tomou a quarta posição do vetusto jornal paulista. A circulação somada dos cinco (ainda) maiores desabou de 1,46 milhão por dia para 1,29 milhão, ou 170 mil leitores a menos por dia. Na década de 1990, a Folha, sozinha, se gabava de ter uma tiragem de 1,5 milhão de exemplares diários (anabolizada por fascículos e CDs, ressalte-se).

A diminuição na circulação variou de 8% (O Globo e Zero Hora) a 15% (Folha, Estadão e Super Notícia). Na média, cerca de 13%. Não é à toa que estão todos desesperados, já que, junto com a redução da circulação, vem a queda do faturamento.

Não culpem a internet – até porque os números acima já incluem as edições digitais. Como mostrou o francês Le Monde, o problema é de qualidade. No caso dos jornais brasileiros, a causa maior é o divórcio entre a linha editorial dos donos das publicações e seus leitores.

Ação

Enquanto no Rio de Janeiro se renovam, por 25 anos, promessas para despoluir a Baía de Guanabara, a China pretende banir fábricas de papel, refinarias de petróleo, fábricas de pesticida e outras plantas industriais poluentes até o final de 2016. Os chineses gastarão 430 bilhões de iuanes (US$ 64,6 bilhões) em cerca de 4.800 projetos para melhorar a qualidade de seus recursos hídricos escassos. Os fundos irão para proteger o ambiente de rios e lagos com boa qualidade de água, proteção de fontes de água potável, prevenção e controle da poluição nas principais bacias e proteção das águas subterrâneas.

Rio para exportação

O contexto econômico brasileiro e a agenda do Ministério do Desenvolvimento (Mdic) para o comércio exterior são o tema do almoço-palestra, com o ministro Marcos Pereira na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), nesta quinta-feira (11/08).

Será lançado um catálogo bilíngue com produtos brasileiros, que será distribuído em embaixadas e câmaras de comércio de 32 países apontados pelo Mdic como mercados prioritários para as nossas exportações. Haverá ainda visitação ao Showroom da Chama Empreendedora, na entrada da ACRio, com produtos tipicamente brasileiros, de 215 empresas de 16 estados, e de grande potencial exortador. A ACRio fica na Rua Candelária, 9, 13º andar – Centro.

Rápidas

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha inaugura dia 16 a exposição Patrimônio Cultural Subaquático Brasileiro Naufrágios Históricos, no Museu Naval (Rua Dom Manuel, 15 – Praça XV – Centro, RJ) *** O Caxias Shopping (RJ) abre as portas nesta sexta-feira para um evento de conscientização sobre a importância da amamentação. Em parceria com o Banco de Leite do Hospital Adão Pereira Nunes e secretarias estadual e municipal de Saúde de Duque de Caxias, a ação faz parte das comemorações pela Semana Mundial de Aleitamento Materno, que é celebrada de 1 a 7 de agosto *** O impacto das parcerias entre grandes empresas e empreendedores no desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira será o tema do debate entre representantes da IBM e Cisco em evento sobre empreendedorismo da Casa Rio, nesta quarta. A Casa fica no Boulevard Olímpico, na região portuária.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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