"Foi Marx quem disse "trabalhadores do mundo, uni-vos",

Empresa Cidadã / 13:34 - 29 de jan de 2002

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mas é a globalização que está fazendo isso." (Luis Anderson, sindicalista panamenho) Entre os principais indicadores da avaliação do desempenho social de uma empresa-cidadã estão incluídos os benefícios por ela proporcionados aos seus colaboradores e a qualidade das relações trabalhistas. - O impacto da globalização nas relações sindicais tem contribuído para reduzir a importância da mão-de-obra barata como fator de atração de investimentos produtivos. À maior flexibilidade da produção, decorrente da velocidade com que a tecnologia é agregada aos processos, automatizando-os, soma-se a ação dos sindicatos baseada em normas de padrão mundial. - A consolidação da União Européia trouxe consigo a formação dos comitês internacionais de trabalhadores de empresas cuja atuação se estende a mais de um país da Europa. A eficácia dos comitês depende da ampliação do alcance das suas convenções ao âmbito mundial, caso de empresas presentes no Brasil, como a Volkswagen, a Renault e a Daimler-Chrysler. - Outro passo no sentido da globalização das relações sindicais é o dos acordos entre empresas e trabalhadores, através dos quais ficam estabelecidos compromissos das empresas de respeitar as convenções básicas da OIT, Organização Internacional do Trabalho, na alçada das suas relações trabalhistas, independentemente da ratificação ou não das convenções pelos países em que operam. - Pelo Brasil, foram ratificadas as convenções 135 (em 1990, referente à liberdade sindical), 98 (negociação coletiva), 29 e 105 (em 1957 e 1965, referentes ao trabalho forçado), 182 (em 2001, referente ao trabalho infantil), 100 e 111 (em 1957 e 1965, referentes à discriminação de gênero e raça) e 148, 155 e 170 (referentes a meio ambiente, saúde e segurança). Das convenções básicas, não estão ratificadas a 87 (liberdade sindical), a 151 (negociação coletiva de servidores públicos), a 138 (trabalho infantil) e a 174 (acidentes industriais). - A solidariedade entre entidades sindicais tem outros exemplos de resultados. No início de 2001, a Whirpool Corporation, controladora norte-americana do grupo Multibras, conhecido pela marca Brastemp, anunciou o fechamento da fábrica de São Bernardo (SP), para julho de 2001, com a conseqüente demissão de 1.050 trabalhadores. A conhecida central americana AFL-CIO intermediou negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e David Whitman, presidente do comitê executivo da Whirpool. Em conseqüência, o fechamento da unidade de São Bernardo foi adiado para 2002, com o adiantamento dos salários do período e outros benefícios. - A formação de uma consciência internacional de trabalhadores, mundializando valores que influenciam decisões de investimento e consumo, a solidariedade entre organizações sindicais e a aplicação no âmbito das empresas de normas relativas às condições de trabalho estipuladas pela OIT, independentemente de ratificação pelos países em que atuam, deixam antever um cenário possível de relações trabalhistas, capaz de melhorar o desempenho social das empresas. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ A White Martins, maior fabricante de gases industriais do Brasil, realiza o programa Agentes Jovens na Saúde, através do qual cerca de 1.500 adolescentes em todo o país recebem treinamento em questões de cidadania e saúde pública. O programa foi contemplado com a 19a edição do Prêmio ECO, oferecido pela Câmara Americana de Comércio em 2001. Destina-se a jovens entre 15 e 17 anos, moradores em áreas de risco social e desde o seu início, em 2000, alcança 60 municípios, entre os quais as 27 capitais e municípios com piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). O programa foi desenvolvido em parceria com os Ministérios da Saúde e da Previdência Social e a White Martins investiu nele R$ 2,7 milhões até o final de 2001, proporcionando aos jovens agentes uma bolsa mensal de R$ 65. Eles recebem informações sobre gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis e higiene, disseminando os conceitos adequados nas suas comunidades. Paulo Márcio de Mello Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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