Fora da Tunísia, FMI!

Na primeira quinzena de dezembro do ano passado, o FMI saudava a ambiciosa lei de finanças adotada para 2018 pelo Parlamento da...

Na primeira quinzena de dezembro do ano passado, o FMI saudava a ambiciosa lei de finanças adotada para 2018 pelo Parlamento da Tunísia, que prevê a redução do déficit orçamentário para menos de 5%. Em janeiro, sete anos após a eclosão da Primavera Árabe, os tunisianos foram às ruas protestar contra os efeitos das políticas determinadas pelo Fundo Monetário Internacional. O papel da instituição parece deliberadamente escamoteado nas matérias publicadas pela imprensa ocidental sobre a revolta no país africano. Em 2016, o FMI aprovou linha de crédito, no valor de US$ 2,9 bilhões, em troca de um programa de reformas. Todos sabem que tipo de mudanças o fundo exige: redução do tamanho do Estado, cortes no orçamento, austeridade, diminuição dos subsídios, elevação dos impostos, aumentos dos preços…

A dívida pública está na casa de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação ultrapassou 6% em novembro, o desemprego entre os jovens supera os 30%. Alguns preços subiram 300%, a depreciação do valor da moeda supera 60%. Milhares de pessoas fogem em embarcações clandestinas rumo a uma melhor sorte na Itália. A mídia insiste em dizer que o movimento popular que levou à queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro de 2011, após 23 anos no poder, foi bem-sucedido, levando o país à democracia. A rendição ao FMI mostra que não é bem assim. Ainda em 2011, o G8 se reuniu em Deauville, a cidade do norte da França preferida pelos ricaços. Lá, junto com FMI e Banco Mundial, elaborou estratégia para conceder empréstimos aos países que iniciavam a Primavera Árabe. Em troca, reformas neoliberais. De lá para cá, na Tunísia, o débito externo pulou de 43% (2010) para 71%. O serviço da dívida em 2018 representa 22% do orçamento do país.

O final da história é bem conhecido aqui, na Grécia ou qualquer outro país que adotou o modelito FMI: credores saem com o dinheiro e mais mudanças são impostas para receber nova parcela da “ajuda”. A conta só fecha com uma guinada. A população nas ruas pede isto.

 

Depois do Carnaval

As clínicas de vacinação particulares só receberão novas doses de vacina contra a febre amarela no final de fevereiro, informa a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina. As doses são produzidas pelo laboratório Sanofi Pasteur fora do país.

 

Cidade Maravilhosa.br

O Rio de Janeiro – “rio.br” – é a última cidade a ter seu domínio no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade responsável pelo registro de domínios “.br”. São mais de 56 opções de categorias (domínios de primeiro nível, DPNs) relacionadas a cidades brasileiras, entre elas “sampa.br” e “floripa.br”. A campanha realizada durante sete meses pelo NIC.br recebeu mais de 10 mil contribuições sobre nomes e apelidos que representariam os municípios. Mais de 40 mil domínios com nomes de cidades já foram registrados, o que representa quase 8% da base de domínios sob o “.br” que não são “.com.br”.

 

Para poucos

A Fazenda resiste à ampliação do Refis para atender às pequenas e médias empresas. A mesma pasta que não se opôs à concessão da benesse a petroleiras estrangeiras, que poderão sacrificar os cofres do país em mais de R$ 1 trilhão em redução de impostos.

O argumento da equipe econômica de que o Refis é um prejuízo à arrecadação fiscal não procede. Prejuízo é ficar sem receber. E sem dar condições para essas empresas parcelarem as dívidas nos mesmos moldes que foi concedido às grandes empresas, elas vão fechar as portas”, declarou o senador José Pimentel (PT-CE).

Ele foi um da ampla frente de parlamentares que se reuniu nesta quinta com diretores de 17 entidades, capitaneadas pelo Sebrae, para derrubar o veto do presidente Michel Temer à lei que aprovou o refinanciamento das dívidas para os empresários que não costumam frequentar os gabinetes do Palácio do Planalto ou as salas reservadas do Jaburu.

 

Brasil

A Justiça do Trabalho autorizou o pagamento de quase R$ 200 milhões este ano em auxílio-moradia para juízes e desembargadores. Será que algum juiz de primeira instância dará liminar contra o pagamento, legal (por enquanto) mas moralmente indefensável?

 

Rápidas

A exposição Sobre Publicações será inaugurada em 3 de fevereiro e fica em cartaz até 24 de março na Red Bull Station (Praça da Bandeira, 137, Centro, São Paulo – SP) ***O Busucão, projeto do Instituto Apaixonados por Quatro Patas, volta ao Caxias Shopping (RJ) neste sábado para vacinação de animais, junto com uma feira de adoção.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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