Fora da área de cobertura

O delegado Ruy Ferraz, responsável pelas investigações que deram origem à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Armas, na Câmara dos Deputados, disse que as empresas de telefonia celular não cooperam com a polícia. Segundo o delegado, existem nos presídios de São Paulo cerca de 1,2 mil telefones móveis que são usados para que os chefes do crime comandem de lá as atividades das facções. “A gente não encontra resposta das operadoras para fazer o nosso trabalho”, reclamou Ferraz, para quem os presídios se tornaram os quartéis-generais do crime organizado.

O papel de Lula
O presidente Lula tem explicitado com recorrência sua dificuldade para entender a abissal defasagem entre a taxa básica de juros (Selic) praticada por seu governo – até hoje, em 19,5% ao ano – e os juros cobrados pelos bancos, que, em sua modalidade mais extorsiva – o cheque especial – se aproximam dos 150% ao ano. Os primeiros, os juros reais mais altos do mundo, são escandalosos; os segundos, pornográficos, para citar adjetivo empregado por aliado recente do presidente, o ex-prefeito Paulo Maluf.
Oscilando do espanto ao patético-grosseiro, como quando exorta os brasileiros a “mexerem os traseiros”, mostrando sua credulidade na concorrência de um setor que, segundo o próprio FMI, é um dos mais cartelizados do mundo, o presidente acaba por se eximir de fazer o que lhe cabe. Como o dinheiro é a mercadoria dos bancos, a redução drástica da Selic a níveis civilizados faria ele “queimar” nas mãos das instituições financeiras.
Isso as obrigaria – na ausência de uma remuneração garantida que supera em cerca de três vezes a inflação prevista para este ano – a buscar clientela a quem emprestar o dinheiro que seria desinvestido dos papéis públicos. Essa super-oferta de mercadoria levaria a uma queda drástica no seu preço (juros). Além disso, os bancos oficiais, que ainda detêm cerca de 30% do mercado financeiro, poderiam puxar a fila da concorrência, oferecendo taxas compatíveis com um projeto de desenvolvimento consistente e efetivo.
O presidente tem nova chance, hoje, na reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), para sair da crítica abstrata e do papel de comentarista do próprio governo para o de protagonista da sua política econômica. Papel, aliás, incluído no pacote do voto popular que o levou à presidência. Basta rebolar.

Reengenharia
A parte mais curiosa na fita em que o então chefe do departamento de Contratação da ECT, Maurício Marinho, é flagrado em relações heterodoxas com empresários interessados em  negociara com os Correios é o trecho em que ele afirma que o único problema para o mesmo sistema funcionar na Eletronorte seria a presença de um irmão do ministro Antônio Palocci na diretoria. Mas isso, segundo Marinho, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) “já estaria administrando”. Administrando?

Problemas emergentes
O aumento da prostituição preocupa os moradores dos bairros de classe média da Barra da Tijuca e Recreio, no Rio de Janeiro. Violência, questão de menores pedintes e maior número de carros de polícia também são temas de debate que reúne hoje o secretário de estadual de Segurança, Marcelo Itagiba, e o chefe de Polícia do Estado, Álvaro Lins, no IV Fórum de Segurança da Associação Comercial e Industrial do Recreio (ACIR), no Recreio Shopping.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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