Fora das quatro linhas

No próximo dia 18, a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) entra em campo para julgar o recurso de um tetracampeão do mundo. Neste dia, o zagueiro Márcio Santos, campeão na Copa dos Estados Unidos, estará frente a frente com os representantes do Santos Futebol Clube, do qual pleiteia o reconhecimento da rescisão indireta de seu contrato de trabalho pelo não pagamento de salários e não recolhimento dos depósitos do FGTS, além de reclamara de seu afastamento de treinos e jogos. O Santos alega que o zagueiro é que abandonou o emprego. O valor da causa é uma bolada: R$ 4,7 milhões.

“Lanterna”
Em artigo na revista Reportagem deste mês, o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ e ex-coordenador do programa econômico do PT, apresenta o Índice de Desempenho Macroeconômico (IDM), elaborado em cima da média anual dos índices correspondentes a cinco variáveis: crescimento do PIB brasileiro; diferença entre as taxas de crescimento do PIB brasileiro e o mundial; inflação; relação entre a dívida interna mobiliária federal e o PIB; e relação entre a dívida externa e a exportação de bens. O IDM varia de 0 a 100 – quanto maior, melhor.
O IDM da Era Vargas é de 62,5, enquanto o IDM médio é de 57,7. A Era Vargas só perde para o período do desenvolvimentismo de 1955-63. O IDM comprova – preto no branco – o desempenho medíocre do neoliberalismo. No governo Fernando Henrique, a taxa de crescimento médio anual da renda no mundo superou a brasileira, “ou seja, o Brasil andou para trás”.
FH levou bomba no IDM: nota 40. Pois as projeções para o governo Lula indicam desempenho ainda pior. O IDM estimado por Gonçalves para Lula é de 38,3. “Ou seja, Lula corre sério risco de se tornar o pior presidente da história do Brasil, substituindo FH como “lanterninha” numa corrida em que não faltam presidentes medíocres e há grande escassez de verdadeiros estadistas.”

Cama e mesa
Segundo pesquisa Expectativa de Consumo, da Fundação Instituto de Administração da USP com consumidores de São Paulo com renda média de R$ 760, os artigos de cama, mesa e banho devem ser os mais procurados pelo consumidor no terceiro trimestre do ano. Um a cada cinco entrevistados disse pretender comprar artigos deste segmento, acima dos que pretendem levar itens da linha branca (geladeiras etc.), que são 17,6%. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, houve aumento de 100% na intenção de compra de produtos de cama, mesa e banho, que era de 10,3%.

Tanque e fogão
Obrigadas a lutar contra os preconceitos machistas para ampliar seus espaços no mercado de trabalho, as mulheres receberam uma homenagem da nova campanha da Multibrás, que reforça antigos estigmas como o de que “lugar de mulher é na cozinha”. Batizada de A escolha da mulher brasileira, a campanha do novo refrigerador Consul Master com dispenser de água na porta tem, segundo a empresa, como principal objetivo “prestar uma grande homenagem à responsável pela nossa posição de liderança no mercado nacional.” As homenageadas preferiam ser lembradas por outras características, digamos, mais modernas.

Rio no inverno
Pesquisa coordenada pelos professores Bayard Boiteux e Maurício Werner ouviu, entre 30 de julho e 4 de agosto, 700 turistas estrangeiros que visitaram a cidade do Rio de Janeiro para obter o perfil do visitante no inverno. Quase 80% estiveram na cidade a lazer; 13% a negócios; 6% para participar de congressos; e 3% para convenções. Doze porcento já haviam visitado a cidade pelo menos uma vez e 93% pretendem voltar. A procedência: 32% eram norte-americanos; 19% franceses; 16% ingleses; 13% alemães; 8% argentinos; 6% italianos; 3% canadenses; 2% chilenos; e 1% uruguaios.
Os pontos positivos destacados foram receptividade da população (30%), atendimento turístico (24%), limpeza urbana (19%), gastronomia (14%), guias de turismo (11%) e comércio (2%). Os pontos negativos foram segurança pública (24%), metrô reduzido (19%), sinalização (17%), comércio ambulante (14%), população de rua (10%), comunicações (9%) e táxi (7%).

Amnésia
A decepção da esquerda mundial com o governo Lula caminha inversamente proporcional ao encantamento dos círculos mundiais de finanças. Em entrevista ao site do Fórum Social Mundial (FSM), o historiador, escritor e cineasta anglo-paquistanês Tariq Ali, uma das principais vozes do movimento antiglobalização e ex-editor da revista britânica New Left Review, critica Lula, por não governar para a população que o elegeu: “Lula é um líder débil que está tão emocionado de estar no poder que se esqueceu porque está no poder”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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