Fora do contexto

As ilações de certos analistas sobre os efeitos da divulgação dos números sobre pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos na política monetária daquele país devem ser vistas com extrema cautela. As várias restrições ao recebimento deste benefício provocam grande assimetria entre o número de desempregados efetivamente e o dos que recebem o seguro. Em maio, o numero de beneficiários foi de cerca de 2,9 milhões de pessoas. Esse número representa apenas cerca de 35% do total de desempregados do país, que chega a 8,2 milhões de pessoas, já pelos critérios de ajuste sazonal, que desconsidera fatores específicos não recorrentes.

Total
Essa defasagem entre os dois números se deve a pelos menos três fatores: 1) quem pede demissão não tem direito ao benefício, apenas quem é demitido;  2) pessoas demitidas que não dão entrada ao pedido para receber o beneficio; 3) pessoas que continuam desempregados depois de encerrado o prazo de duração do benefício.
Ou seja, se se deseja considerar os efeitos do desemprego sobre a economia dos EUA, país no qual os gastos dos consumidores respondem por dois terços do produto interno bruto (PIB), é mais honesto e verdadeiro olhar para o total de desempregados.

Bom pagador
Diante dos elevados índices de inadimplência das mensalidades escolares, as escolas de Educação Adventista, da Zona Sul de São Paulo, resolveram formar negociadores em suas  unidades educacionais em vez de contratar empresas especializadas em cobrança. Segundo dados da instituição, a estratégia deu certo. O índice de inadimplência nessa área não tem ultrapassado a média de 2%, após 12 meses do vencimento dos contratos, enquanto em outras escolas da rede a taxa chega a 9% no fim do ano letivo.
Além da mudança na metodologia, outro dado parece decisivo para explicar a diferença: 17 escolas da Zona Sul, num total de 9 mil alunos, estão localizadas em áreas mais carentes de São Paulo: “Os pais de alunos desses bairros consideram a educação como prioridade e costumam honrar seus compromissos”, destaca a professora Alacy Mendes Barbosa, acrescentando que em muitos bairros de classes média e alta, viagens e outros gastos ocupam os primeiros lugares nas prioridades dos país.

Palocci de Freitas
Depois de verem seu time amargar rodadas sem uma única vitória, torcedores do Botafogo não têm mais dúvidas: Bebeto de Freitas é o Antônio Palocci do futebol. Com sua política de superávit primário e, apesar da total ausência de resultados no campo, noves fora o retorno, pelo visto provisório, à primeira divisão, Bebeto também tem merecido os mesmos confetes que a mídia destina à política sem-resultados de Palocci.

Quase parando
A equipe econômica tucana infiltrada no Ministério da Fazenda petista descobriu uma fórmula para acabar com o movimento de pára-e-anda na economia brasileira, mais conhecido, na linguagem habitual dos tecnocratas, como stop and go: vão ficar só no stop.

Ontem & hoje
No seu último debate com o então prefeito Luiz Paulo Conde, o então candidato Cesar Maia fez da denúncia contra “a indústria de multas” da Prefeitura do Rio uma das suas principais críticas ao adversário. Cerca de quatro anos depois, os responsáveis pelo site da Juventude Cesar Maia respondem assim às mensagens eletrônicas do eleitorado contra a indústria denunciada por Cesar: “Vemos algumas pessoas reclamando de uma tal de indústria das multas da Prefeitura. Oras, só é multado quem comete uma infração de trânsito, será que há uma indústria do presídio? Se formos pensar desta forma daqui a pouco vão proibir as prisões de delinqüentes e criminosos. Se você não gosta da prefeitura e não quer mais pagar multas siga a dica da Juventude Cesar Maia: pare no sinal vermelho, use cinto de segurança, não fale ao celular enquanto está dirigindo, faça o retorno no local correto, enfim, não cometa infrações de trânsito.”
Na época, esse era o argumento esgrimido por Conde, que não sensibilizou Cesar a rever suas críticas à “tal indústria”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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