Fora Palocci

A governadora Rosinha Garotinho deu a sua versão sobre a vitória de Severino Cavalcante na disputa pela presidência da Câmara Federal: “O Congresso não aguenta mais o PT. A vitória de Severino foi a vitória de todos os que querem ver o país crescer”. Segundo a governadora, a Câmara ficou mais democrática. “Espero que não persiga mais os estados, como ocorre com o Rio de Janeiro”, finalizou.

Tsunami
Embora as causas sejam múltiplas, a desagregação da base governista tem uma origem principal: a ausência de projeto para o Brasil. Embora políticos, em geral,  não sejam especialistas em macroeconomia, costumam compensar este déficit com a sensibilidade advinda da sintonia com seu eleitorado. Em dois anos, apesar da marquetagem em contrário, é clara a percepção no Congresso de que o governo Lula não tem projeto próprio, a não ser de poder, e que, no essencial, se assemelha a administrações com os quais os parlamentares já conviveram.
Mesmo que a barragem ideológica os impeça de perceber na política econômica, baseada em corte de gastos, elevação de juros e câmbio flutuante, o principal obstáculo à concretização de políticas públicas, os parlamentares intuem a ausência de perspectiva. Nessa hora, a tática do meu pirão primeiro se espraia e contagia cada vez mais adeptos.

Lei de Murici
A desagregação social e política causada pela tsunami da política econômica é tão forte que, em apenas dois anos de poder, o PT se viu atingido pela anarquia partidária. A face mais visível desta desordem é a candidatura do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) à presidência da Câmara. A cúpula do partido sonha em deslocar o vice-presidente José Alencar do lugar que ocupa para entregá-lo ao PMDB ou, se a oposição peemedebista barrar a aliança com os petistas, ao PTB. Nessa estratégia, a eleição para a Câmara de Guimarães, um fervoroso defensor do paloccismo, poderia fortalecer seu nome nacionalmente e criar obstáculos à candidatura de Alencar ao governo mineiro ou ao Senado. Diante da desagregação do PT, Guimarães optou por acumular forças antes de deixar o partido para se aventurar numa disputa majoritária.

Rumos
Mesmo o mais ferrenho crítico da gestão de Carlos Lessa à frente do BNDES nunca pôde fazer nem ao menos uma insinuação de aproveitar a projeção do banco para fins pessoais, nepotismo ou similares. A assunção de Guido Mantega parece ter trazido mudanças nesse aspecto. O atual presidente assistiu ao desfile das escolas de samba no Carnaval carioca no camarote de uma empresa privada, o que parece contrariar o código de conduta do primeiro escalão do governo; e a filha de Mantega, Marina, estourou nas colunas sociais cariocas desde que o pai assumiu o cargo.
Mais sério é o imbróglio da mudança no estatuto do BNDES, para permitir que empregados com menos de oito anos de casa pudessem gozar de licença remunerada para fazer doutorado – caso da filha de Antonio Barros de Castro, diretor de Planejamento do BNDES. Com menos de três anos no banco, a funcionária teve seu pedido aprovado 48 horas após as mudanças nas regras.

Bem na foto
Fotografia aplicada ao turismo é o tema de curso que Planet Work organiza em 19 de março, no Hotel Majestic, Copacabana. O curso será ministrado por Monique Cabral, pós-graduada em fotografia documentária, no Royal College, em Londres. Inscrições pelo telefone (21) 3322-4459, com com Thereza Milton, ou pelo e-mail divisaodecursos@planetworkrio.com.br

Sem controle
Quase 60% dos supermercados não registram suas perdas e, assim, não tem noção do prejuízo que sofrem. É o que mostra pesquisa do Programa de Administração do Varejo (Provar), da FIA/USP. Segundo Benedito Marques, gerente de projetos da S3 Loss Prevention Consulting Services – consultoria especializada em prevenção de perdas, os principais problemas enfrentados pelos varejistas são os furtos internos (praticados por funcionários) e externos (clientes), falta de padronização dos procedimentos operacionais e de controle de entrada e saída de mercadorias.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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