Lançada em maio, a Chamada pública de projetos para o Nordeste da Nova Indústria Brasil (NIB) rendeu a escolha de 189 projetos que somam R$ 113 bilhões, quase 11 vezes superior à estimativa inicial de R$ 10 bilhões. O anúncio dos projetos selecionados foi feito nesta segunda-feira, durante a Assembleia Geral dos Governadores e Governadoras do Nordeste em Teresina (PI).
O evento reuniu representantes do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste), da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e das instituições financeiras que participam da chamada.
As propostas escolhidas representam nove estados da região e para as cinco áreas estratégicas da chamada: transição energética com foco em armazenamento, 59 propostas; bioeconomia com foco em fármacos, 39 projetos; hidrogênio verde, 44 projetos; data center verde, 40 iniciativas; e setor automotivo, incluindo máquinas agrícolas, com 37 projetos.
Da seleção,74% são de micro, pequenas e médias empresas, 32% foram projetos em consórcio com outras empresas e 77% envolveram a cooperação com instituições de ciência e tecnologia. Empresas não aprovadas também serão procuradas para avaliação de oportunidades.
Bancos
A ação envolve bancos públicos federais – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (Caixa), Banco do Nordeste (BNB) – e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio técnico da Sudene) e do Consórcio Nordeste.
“A resposta do Nordeste à chamada da Nova Indústria Brasil é uma prova inquestionável do potencial de inovação e do empreendedorismo da região – e o mais importante: 74% destas propostas vêm de micro, pequenas e médias empresas, que são o motor que transforma inovação em emprego e renda”, afirmou o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin. “Com esta chamada, estamos garantindo que o desenvolvimento sustentável e a neoindustrilização cheguem na ponta, alcançando os que estão mais perto das necessidades e das oportunidades locais”.
O presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou que sua principal bandeira foi ampliar o crédito ao setor produtivo, visando corrigir a histórica desproporção entre os recursos recebidos e a participação da região no PIB nacional.
“Hoje celebramos o grande anúncio dessa coalização de bancos liderados pelo BNDES que está garantindo um volume de recursos jamais visto na história da industrialização nordestina: chegamos a R$ 113 bilhões”, afirmou. “São investimentos na área da indústria verde, da transição energética, da bioeconomia, tudo a ver com o potencial que o Nordeste tem”.
A diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, destacou o ciclo virtuoso vivido pelo Nordeste. “A Chamada Nordeste, com essa mobilização, com as federações das indústrias, com o setor da agricultura empresarial e da agricultura familiar, fez que tivéssemos uma alavancagem expressa, já este ano de 2025, nos recursos aprovados para a região: tivemos até hoje, 1º de dezembro, 34,1% do volume de aprovações em relação a 2024 – e ainda nem começamos a contratar os projetos no âmbito da Nova Indústria Brasil”, observou.
Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a Chamada Nordeste é um marco. “Ela fortalece políticas públicas, promove inovação, amplia a competitividade regional e contribui para a redução das assimetrias históricas que ainda marcam o país”, afirmou. “É a demonstração de que, quando articulamos instituições, ciência e setor produtivo, construímos as bases de um desenvolvimento sustentável e socialmente justo. Elias disse que a Finep contará com seus mais diversos instrumentos para apoiar as 189 empresas aprovadas “Teremos recursos de subvenção econômica de caráter exclusivamente regional, recursos não reembolsáveis para que o Estado compartilhe o risco da inovação com o setor privado”.

















