Fortes turbulências

Levantamento recente da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), mostra que, nos países que privatizaram seus aeroportos, o setor virou refém de monopólios, como na Inglaterra, onde as tarifas aeroportuárias subiram 20%, percentual módico para as privatizações tupiquins – com caso de até 2.600%, como na conta mensal do telefone fixo – mas escandaloso para o ambiente europeu. Em outros países, como Itália, Espanha, Austrália e México, que também transferiram os aeroportos para monopólios privados, a situação se repetiu, segundo o  presidente da Iata, Giovanni Bisignani. Para ele,  a situação não se repetiu apenas em Índia e Argentina, que, segundo Bisignani, criaram órgãos reguladores fortes e independentes.

Dilma tucanou
Até os donos de aéreas que não integram o duopólio que domina o setor no país alertam para os efeitos da privatização sobre a concorrência. O dono da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, por exemplo, prevê que a elevação das tarifas advinda da privatização reduza o número de passageiros. Ele lembra que os aeroportos do México, da Argentina e da Inglaterra, que, após passarem para mãos privadas, tornaram-se os “mais caros do mundo”. Caso a fórmula se repita no Brasil, essa será uma conta que a presidente Dilma, na campanha de 2014, não poderá atribuir à sanha privatista do PSDB.

Nem a Velhinha de Taubaté
Algum brasileiro acostumado com o padrão dos serviços públicos privatizados acredita mesmo no cumprimento das metas que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) promete exigir das concessionárias que assumirem os aeroportos do país?

Nem a Velhinha de Taubaté 2
E quantos serão os crédulos sobre a promessa de que, no caso de descumprimento da metas, as concessionárias sofrerão descontos no momento de aumento das tarifas? Estão aí, as concessionárias das ferrovias, cujo dinamismo da iniciativa privada ia revolucionar e baratear o setor no país, que, contempladas com dinheiro subsidiado do BNDES, não cumpriram a maioria das metas e não sofreram qualquer punição. Alguém acha que, no ar, as agências ditas reguladoras serão mais rigorosas?

Prática
Se o anúncio com Gisele Bundchen para a fábrica de calcinhas e sutiãs Hope transita entre o machismo e o mau gosto, o que dizer da edição do jornal O Globo que colocou, sob o título “Guerra de Mulheres”, lado a lado, uma foto da ministra Iriny Lopes e da modelo – esta em pose sensual vestindo lingerie? Será que este tipo de edição está contemplado no autobadalado manual de ética das Organizações Globo?

Sopão
Em greve desde a última sexta-feira, quando fizeram doações de sangue no Hemorio, os guardas municipais cariocas farão novos protestos nesta sexta, desta vez em frente  ao Batalhão da Guarda, em São Cristóvão. Segundo o presidente do sindicato da categoria, Rogério Chagas, eles farão um sopão da miséria, chamando a atenção da população para o “descaso com que os guardas são tratados”.

Interesses chineses
Mais de 20 oportunidades de negócios, que vão da construção de aeroportos a projetos sociais e tecnologia. Este é o balanço que a Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico faz da participação brasileira ma XV China International Fair for Investment and Trade (Cifit), em Xiamen. A feira atraiu mais 15 mil visitantes estrangeiros de 112 países e regiões. Fechou mais de 493 projetos de investimentos, gerando um total de US$ 21,45 bilhões e US$ 17,37 bilhões de euros em fundos estrangeiros.

Desafinou
O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) impetrou um mandado de segurança pedindo a interrupção do funcionamento da CPI da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que investiga se há irregularidades no organismo. O deputado André Lazaroni (PMDB), presidente da CPI, se disse surpreso, mas garantiu que os trabalhos irão continuar. “Tenho certeza de que o Judiciário vai entender que estamos averiguando fatos verídicos e de interesse comum à sociedade”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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