Fórum Brasil-China começa em Brasília para nova fase de cooperação para o desenvolvimento compartilhado

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Um navio de carga transportando soja livre de desmatamento do Brasil atraca no porto de Tianjin, no norte da China, após um mês de viagem, em 31 de maio de 2024. (COFCO Group/Xinhua)
Xinhua - Silk Road

Brasília, 28 nov (Xinhua) — Especialistas brasileiros e chineses iniciaram nesta terça-feira em Brasília o Fórum Brasil-China – Marcos para uma Nova Fase de Cooperação para o Desenvolvimento Compartilhado, com ênfase especial na agricultura familiar, tecnologia e soberania alimentar.

Organizado pela Universidade de Brasília e pelo Instituto Taihe, o evento, que termina nesta quarta-feira, ocorre no marco dos 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

O evento é coorganizado pela Associação Internacional de Cooperação Popular (Baobab/IAPC) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de contar com o apoio de instituições importantes como a Secretaria-Geral da Presidência do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O primeiro dia começou dedicado à discussão dos novos fundamentos da geopolítica contemporânea e das soluções para o desenvolvimento nacional no Sul Global.

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Na mesa de abertura, Marcio Pochmann, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse que vivemos uma crise da modernidade ocidental, que precisa ser superada, tendo as guerras e as mudanças climáticas como suas grandes manifestações.

“A questão central é a nossa capacidade de construir um modelo de modernidade que supere o declínio do modelo de modernidade ocidental dos últimos 500 anos. Um modelo na perspectiva Sul-Sul para que possamos recolher resultados diferentes daqueles que tivemos até agora”, ressaltou.

João Pedro Stédile, do Movimento dos MST, por sua vez, destacou a complexidade da crise internacional, que evidencia o que chamou de “declínio econômico do império dos Estados Unidos”, com muitos países discutindo um processo de desdolarização.

Segundo Stédile, o modelo de agricultura familiar é o futuro do Brasil, mas enfrenta grandes desafios para produzir alimentos preservando o meio ambiente. Para isso, disse, é muito importante a cooperação solidária com pessoas como os chineses que já avançaram no desenvolvimento tecnológico e na mecanização da produção agrícola familiar.

Yue Haiping, vice-presidente da empresa chinesa de tecnologia SEMP TCL, que começou como uma joint venture binacional, destacou que a empresa emprega mais de 2 mil trabalhadores brasileiros, com duas bases fabris em Manaus.

O executivo ressaltou o potencial que a China e suas empresas têm na “construção de capacidades avançadas para ajudar na transformação e modernização da indústria brasileira”, além da cooperação científica e tecnológica entre os dois países, e na transição energética.

Liang Yongmei, do Instituto Industrial da Academia Chinesa de Ciências Sociais, falou virtualmente sobre o caminho para a modernização do modelo chinês baseado na história da industrialização na República Popular da China.

“As culturas do mundo são diversas e a prosperidade e o desenvolvimento a longo prazo só serão possíveis se explorarmos resolutamente o caminho da modernização de acordo com as nossas condições nacionais”, disse ele.

As discussões do fórum continuarão analisando estratégias tecnológicas no campo da agricultura familiar, com a participação de representantes de instituições brasileiras e chinesas e de organizações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e a Marcha Mundial das Mulheres.

O segundo dia terá como foco a mecanização, a modernização e a agricultura digital no contexto da agricultura familiar. Participarão figuras relevantes, como autoridades do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio brasileiro, acadêmicos da Universidade Agrícola da China e líderes de movimentos sociais brasileiros.

Posteriormente, serão abordados a soberania alimentar, a agroecologia e a transição ecológica, com uma discussão liderada por representantes governamentais, pesquisadores e lideranças do MST, que explorarão a intersecção entre sustentabilidade e desenvolvimento rural.

O evento culminará com a cerimônia de lançamento do Centro Brasil-China de Pesquisa, Desenvolvimento e Promoção de Tecnologia e Mecanização para Agricultura Familiar.

Este evento contará com discursos de ministros dos dois países, assinatura de memorando de cooperação entre a Universidade de Brasília e a Universidade Agrícola Chinesa, exposição de máquinas agrícolas chinesas e visitas ao Laboratório Vivo de Agroecologia Digital Familiar. Fim

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