Fraca demanda econômica deve manter Selic em 2%

Atualmente, taxa está no menor patamar da história; para especialista, justamente por isso, 'fica inviável diminuí-lo ainda mais'.

Mercado Financeiro / 15:08 - 15 de set de 2020

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O Comitê de Política Econômica (Copom), do Banco Central, se reúne hoje e amanhã para tratar, entre outros assuntos, da taxa básica de juros, a Selic. Segundo o Boletim Focus, divulgado ontem pelo BC, o mercado espera pela manutenção dos atuais 2% da Selic. Para a especialista em Finanças Públicas, e professora da Universidade Santo Amaro (Unisa), Roberta Auler Bittencourt Bernardo, essa projeção deve se concretizar.

"A demanda agregada da economia ainda está muito fraca, em especial, pelas consequências negativas por conta da pandemia do novo coronavírus. O Banco Central deverá controlar a inflação do país por meio da manutenção atual em 2% da Selic. Em situações normais, ao reduzir a Selic, os juros mais baixos ajudam a tornar o crédito mais barato. Desse modo, possibilita aceleração do Produto Interno Bruto, pois o consumo das famílias e os investimentos privados, que têm os maiores impactos na economia, tendem a ficar mais estimulados", acredita.

Atualmente, a Selic encontra-se no menor patamar de sua história, após seguidas reduções, saindo de um patamar de 14,25% ao ano, em agosto de 2016, para os atuais 2%. Para a professora, este número já é baixo, e por isso, fica inviável diminuí-lo ainda mais.

"Para a realidade dos países emergentes, como é o caso do Brasil, já está em um patamar bastante baixo. Ademais, já estamos com projeção de taxa de juros reais negativas para a economia brasileira. O risco fiscal é crescente, uma vez que a retomada da economia fique abaixo da esperada e ocorra a elevação da taxa de desemprego".

A previsão do mercado financeiro é que a Selic seja mantida no atual patamar (2% ao ano) até o final deste ano. Em 2021, a expectativa é que a Selic suba, encerrando o período em 2,5% ao ano.

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto - comprando e vendendo títulos públicos federais - para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Ao manter a Selic no mesmo patamar, o Copom considera que as alterações anteriores nos juros básicos foram suficientes para chegar à meta de inflação, objetivo que deve ser perseguido pelo BC.

Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%. Para 2021, a meta é 3,75%, também com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As instituições financeiras consultadas pelo BC projetam inflação menor que o piso da meta, em 2020. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é 1,94% este ano. Para 2021, a estimativa é 3,01%, abaixo do centro da meta (3,75%).

 

Com informações da Agência Brasil

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