Fracasso das manifestações coloca reforma da Previdência em xeque

Atos a favor das propostas de Bolsonaro sofrem com déficit de público.

O baixo comparecimento de apoiadores do Governo Bolsonaro às manifestações neste domingo expuseram de forma clara a perda de base do presidente, menos de seis meses após chegar ao poder. A deterioração do apoio é puxada pelo agravamento da crise econômica e pela proposta de cortes na Previdência.

O ato com mais público ocorreu em São Paulo e ocupou, segundo diversos meios de comunicação, sete quarteirões da Avenida Paulista, sendo apenas dois deles mais concorridos. Isso representa algo como 15 mil manifestantes. Somando todo o público da via, a manifestação somou menos de 20 mil pessoas.

No Rio de Janeiro, o público em Copacabana foi ainda menor. Em algumas cidades, porém, o ato foi constrangedor. Belo Horizonte mal conseguiu reunir 2 mil pessoas. Há 15 dias, 250 mil tomaram as ruas em defesa da educação e contra a reforma da Previdência.

Somados os atos em todo o Brasil neste domingo, o número de manifestantes pouco ultrapassa os 50 mil. Um contraste com os cerca de 1 milhão que engrossaram os protestos de 15 de maio. O presidente Jair Bolsonaro, que evitou hipotecar apoio aos atos deste domingo temeroso do fracasso, limitou-se a dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Veja então a comparação entre as duas manifestações, a de 15 de maio e a de 26 de maio.

À falta de apoio popular se somaram críticas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aos integrantes do centrão e ao Supremo, o que pouco atrapalha as pautas do governo. Apesar de não gostarem da malhação de judas, Maia e seus pares dificilmente mudarão de tom, já que operam em conexão direta com o ministro Paulo Guedes e setores do empresariado financeiro e industrial paulista.

Porém, o déficit no apoio à reforma da Previdência coloca mais um obstáculo à aprovação dos cortes. Sem suporte do lado do governo, as críticas às medidas contra os aposentados ganham o debate nas bases eleitorais.

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