Fretes marítimos subiram mais para países em desenvolvimento

O bloqueio do tráfego no Canal de Suez por quase uma semana em março, pelo supernavio Ever Given, desencadeou um novo aumento nas taxas de frete à vista de contêineres. “O incidente lembrou ao mundo o quanto dependemos do transporte marítimo”, disse Jan Hoffmann, chefe do ramo de comércio e logística da Unctad, agência da ONU para comércio. “Cerca de 80% das mercadorias que consumimos são transportadas por navios, mas facilmente esquecemos isso.”

Um novo relatório da Unctad examina por que as taxas de frete aumentaram durante a pandemia e o que deve ser feito para evitar uma situação semelhante no futuro. Ao contrário das expectativas, a demanda por transporte marítimo de contêineres cresceu durante a pandemia, recuperando-se rapidamente de uma desaceleração inicial.

O impacto sobre as taxas de frete foi maior nas rotas comerciais para as regiões em desenvolvimento, onde os consumidores e as empresas têm menos recursos.

Atualmente, as taxas para a América do Sul e a África Ocidental são mais altas do que para qualquer outra região comercial importante. No início de 2021, por exemplo, as taxas de frete da China para a América do Sul aumentaram 443% em comparação com 63% na rota entre a Ásia e a costa leste da América do Norte.

“Mudanças nos padrões de consumo e compras desencadeadas pela pandemia, incluindo um aumento no comércio eletrônico, bem como medidas de bloqueio, na verdade levaram ao aumento da demanda de importação de bens de consumo manufaturados, grande parte dos quais é movida em contêineres”, diz a Unctad.

“O aumento na demanda foi mais forte do que o esperado e não atendeu a uma oferta suficiente de capacidade de transporte”, e a subsequente escassez de contêineres vazios “não tem precedentes”.

Parte da explicação para os valores maiores nas rotas de países em desenvolvimento está no fato de que costumam ser mais longas. Mais navios são necessários para o serviço semanal nessas rotas, o que significa que muitos contêineres também estão “presos” nessas rotas.

“Quando os contêineres vazios são escassos, um importador no Brasil ou na Nigéria deve pagar não apenas pelo transporte do contêiner de importação cheio, mas também pelo custo de manutenção do estoque do contêiner vazio”, diz a Unctad.

Outro fator é a falta de carga de retorno. Os países da América do Sul e da África Ocidental importam mais produtos manufaturados do que exportam, e é caro para as transportadoras devolver as caixas vazias para a China em rotas longas.

Houve ainda um aumento no influxo de bens exportados da Ásia para os Estados Unidos. “Com isso, centenas de contêineres ficaram presos em solo norte-americano, por conta das restrições de mão de obra. Hoje, ainda, de cada 10 contêineres parados nos EUA, apenas quatro retornaram para a Ásia”, explica Rodrigo Scolaro, economista da Costdrivers.

Leia também:

Ever Given ainda está ancorado em Suez com tripulação presa

 

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