Frio e calor

O astrofísico Khabibullo Abdusamatov, diretor de Pesquisas Espaciais da Academia Russa de Ciências, rema contra a corrente que prega que o mundo passa por um processo de aquecimento global. Ao contrário, segundo o boletim Resenha Estratégica, Abdusamatov prevê um forte resfriamento para as próximas décadas. Segundo ele, o fenômeno poderá começar a se manifestar já no período 2012-2015 e deverá atingir o auge em meados do século, por volta de 2055-2060. Um ciclo de aquecimento, com duração de 200 anos, só deverá começar no início do Século XXII. O fenômeno seria semelhante à chamada Pequena Idade do Gelo, que atingiu o auge no século XVII, forçando o abandono das colônias dinamarquesas na Groenlândia.

Os riscos das urnas virtuais
Apesar do histórico dos atores envolvidos recomendar cautela, institutos de pesquisas voltam a se arvorar em antecipadores da vontade da popular, como mostra a proclamação de Ibope e Datafolha que, no último dia 10, a 21 dias das eleições, asseguraram que o pleito já está decidido em 16 estados e no Distrito Federal. Examinassem suas previsões anteriores, institutos de pesquisas não colaborariam para elevar seu déficit de credibilidade.
Em 27 de setembro de 1998, faltando apenas uma semana para as eleições para governadores de estado daquele ano, o Ibope avalizava as manchetes que asseguravam que a eleição seria resolvida em primeiro turno em 13 estados: AM, AL, MA, CE, PR, TO, BA, GO, PE, SC, RS, RN e ES. Abertas as urnas, Iris Resende (PMDB), “eleito” pelo Ibope no primeiro turno, teve de tirar o terno da posse e ver Marconi Perillo (PSDB) – apenas 27% no primeiro turno Ibope – receber a faixa de governador de Goiás. O mesmo aconteceu no Rio Grande do Sul, onde o “eleito” pelo Ibope no primeiro turno, Antônio Britto (PMDB) – 46% – foi desempossado por Olívio Dutra (PT) – só 35% segundo o peremptório Ibope.
Além disso, Ronaldo Lessa (PSB), que, segundo asseverava o instituto, com seus 38%, disputaria o segundo turno com Mano (PTB – 21%) foi eleito no primeiro. Já Roseana Sarney (PFL), embora vencendo no primeiro turno, no Maranhão, teve vitória bem menos consagradora do que os 68% que o instituto lhe atribuía tão convictamente. Seu adversário Epitácio Cafeteira (PPB), apesar de o Ibope ter lhe garantir apenas 24% das intenções de votos a uma semana da eleição, só foi derrotado pelo fenômeno que o veterano jornalista político Márcio Moreira Alves chamou de o “o voto das jangadas”.
A expressão era uma referência à votação colhida nos rincões mais longínquos do Maranhão e cujas urnas somente chegaram à capital, São Luís, após longos dias de viagem naquele meio de transporte, para, enfim, definir uma eleição até então indefinida.

Choque
A energia elétrica foi responsável, em 2004, por 2,8 mil acidentes fatais de trabalho no Brasil. A partir de dezembro, entra em vigor a NR-10, norma que regulamenta a adoção de técnicas seguras nas instalações e serviços com eletricidade. O seminário Estratégias na Implementação da NR-10, em São Paulo, dia 3 de outubro, vai debater as exigências que as empresas serão obrigadas a cumprir. Inscrições pelo telefone (11) 3168-3388 ou e-mail [email protected]

Exposição
Bons debatedores não são, necessariamente, garantia de bons governantes. No entanto, é inaceitável que a fuga ao debate com seus adversários se torne regra, quase sem exceção, entre os primeiros colocados nas pesquisas eleitorais. Essa omissão, aliada à campanha ficcional que os “favoritos” nas pesquisas apresentam sobre si próprios e o país, desqualificam o debate político e corroem a democracia. Por isso, a comentada reforma política e eleitoral deveria tornar compulsória a participação de todos candidatos a cargos majoritários em um determinado número de debates, no primeiro e no segundo turnos. Quem se recusasse, teria a candidatura cancelada. É o mínimo que devem aos eleitores.

Eternidade
Obrigado pela justiça a liberar o dinheiro do financiamento para as obras de expansão do Metrô do Rio, o BNDES afirmou que a aprovação do empréstimo ocorreu “em tempo recorde”, “menos de dois meses após o encaminhamento do pedido do Estado do Rio de Janeiro”. E acrescentou: “Isso reflete o empenho do banco em financiar uma obra de grande importância para a população do Rio de Janeiro.” Imagina-se o que ocorre quando o BNDES não se empenha.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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