Fuga do dragão

Quase metade dos milionários chineses pensam em sair da China, indica sondagem feita pelo Instituto Hurun e pelo Bank of China, entre maio e setembro, com 980 pessoas com uma fortuna superior a dez milhões de iuans (pouco mais de 1 milhão de euros). Os ricos afirmam buscar “melhor educação dos filhos”, “proteção do patrimônio” e fugir da “incerteza política”. O Instituto Hurun publica anualmente uma lista das pessoas mais ricas da China idêntica ao ranking mundial dos milionários elaborado pela revista norte-americana Forbes.

Mais 10%
De acordo com a última lista do Hurun, o número de chineses com mais de 10 milhões de iuans subiu 9,7% em relação a 2010, para 960 mil, entre os quais 60 mil que classifica de super-ricos, com uma fortuna superior a 100 milhões de iuans (mais de 12 milhões de euros). Pelas estatísticas oficiais, o rendimento anual per capita nas zonas urbanas da China aumentou 81% desde 2006, para 19.109 iuans (cerca de 2 mil euros).

Salto do dragão
Uma das principais diferenças entre Brasil e China é a velocidade da mudança e do crescimento do país asiático, expõe o professor da Unicamp Carlos Américo Pacheco no estudo “Uma comparação entre a agenda de inovação – Brasil e China”. O Brasil, que batia os chineses  com folga em quase todos os indicadores econômicos e sociais relevantes, ficou para trás com o vertiginoso crescimento daquele país, cujo PIB triplicou entre 2000 e 2009, enquanto o correspondente brasileiro cresceu 60%.

Mão invertida
Entre 2000 e 2009, o gasto da China em P&D saltou de 0,9% para 1,7% do PIB, enquanto o do Brasil foi de 1% para 1,2%. Há 30 anos, o Brasil depositava sete vezes mais patentes no USPT e sua produção científica era 60% maior que a chinesa. Hoje, a produção científica chinesa é quase quatro vezes maior que a brasileira e o número de patentes é quase 15 vezes maior”.

Luz
A CPI da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) que investiga irregularidades no Ecad ouvirá nesta quinta-feira o gerente de Arrecadação da instituição, Márcio Fernandes, e o diretor de Distribuição, Mario Sérgio Machado de Campos. “Queremos propor formas de tornar mais transparente este processo (de arrecadação e distribuição de direitos autorais)”, afirma o deputado André Lazaroni (PMDB), presidente da Comissão.

Demofobia
Noves fora os recorrentes movimentos especulativos, a histeria que tomou conta dos mercados financeiro após o simples anúncio de que o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, de que pretende ouvir dos gregos se pretendem continuar sendo submetidos à erosão social e da soberania nacional exigida por União Européia e FMI revela quão antagônicos são os “mercados” e a democracia.

Poupança, não!
Com o acirramento da crise na Europa, o Banco Central tupiniquim se verá obrigado a acelerar a queda da taxa básica de juros (Selic), aproximando o rendimento dos fundos de renda fixa e DI da desprestigiada caderneta de poupança. Vai ser a senha para, de dentro e fora do governo, serem retomadas as ameaças de confisco da poupança. Antes que isso aconteça é bom lembrar que, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os 64.866 rentistas brasileiros com pelo menos R$ 1 milhão aplicado apenas nos bancos, num total de R$ 429,6 bilhões (dado de setembro), destinaram apenas 0,3% dos seus recursos (R$ 2,2 bilhões) à tradicional caderneta.

Só na alta
A propósito, é curioso como os mesmos que, de dentro e fora do governo, se preocupam em confiscar os ganhos da poupança quando estes se aproximam do rendimentos dos fundos de renda fixa e DI não têm a mesma preocupação quando os poupadores apanham até da inflação.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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