Fumaça

O Rio Grande do Sul será auto-suficiente na produção de energia elétrica em 2010, anunciou o secretário estadual de Energia, Valdir Andres. “Com a entrada de novas usinas hídricas, térmicas e eólicas, o estado atinge, finalmente, o sonho de muitos anos, o de produzir toda a energia consumida pela população”, afirmou Andres. Hoje, o RS ainda importa 38% da energia consumida. O feito, porém, terá um custo ambiental: a geração térmica a carvão será responsável pelo maior crescimento na capacidade instalada – passará de 13% para 30%. A geração hídrica cairá de 63% para 49%, o gás passará de 19% para 14%, o óleo de 2% para 1% e as fontes alternativas de energia crescerão de 3% para 6% na matriz energética gaúcha.

Novos rumos
A reestatização da Aguas y Saneamientos Argentinos (Aysa), responsável pelo abastecimento de água e do saneamento básico de 12 milhões de argentinos, mas, segundo o governo local, mais interessada em aumentar tarifas, não é movimento isolado da administração Néstor Kirchner para retomar o controle do Estado sobre a economia.
Contrariando as previsões catastróficas, depois de reestatizado, Correios voltou a dar lucro, feito nunca registrado durante o período em que permaneceu privatizado. Além disso, enquanto no Brasil, o presidente Lula manda o BNDES comparecer com dinheiro da “viúva” em concessionárias que não cumprem contratos, Kirchner cassou concessões, entre elas a da ferrovia General San Martín e a da empresa de monitoramento espacial, esta controlada pela francesa Thales Spectrum.
Além disso, Kirchner criou estatais em setores essenciais para o desenvolvimento do país, como a empresa de energia Enarsa – o Estado estava ausente do setor de gás e petróleo desde a privatização da YPF. Esses movimentos se articulam com um crescimento vigoroso na faixa de 8% a 9% ao ano, cerca de quatro vezes o do Brasil de Lula, que preferiu seguir e aprofundar a herança ruinosa herdada do tucanato.

Inflação no TJ
Uma averbação de habite-se, pela qual se pagava no Rio de Janeiro R$ 18,03, custará agora R$ 451,22, ou seja, um aumento de 2.400%. A facada, implantada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro através do Aviso 476/2005, foi contestada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), mas confirmada pelo TJ. “Esse aumento punirá, por igual, os adquirentes de imóveis novos, inclusive moradia popular. Trata-se do maior aumento tributário da história fiscal brasileira em período não inflacionário”, afirma Antonio Carlos Mendes Gomes, diretor executivo do sindicato.
O assunto não está encerrado na Justiça: a Federação das Indústrias (Firjan) apresentou Representação por Inconstitucionalidade sobre o tema, cujo relator será o desembargador Rudi Loewenkron.

Famintos&gulosos
Do cientista político Cesar Benjamin ironizando os apelos do presidente Lula para ser julgado apenas ao fim dos quatro anos de governo: “Temos um governo inimigo do debate e da participação, que pede infinita paciência aos que têm fome e atende antes aos gulosos.”

Razões
O zelo demonstrado pela Coaf ao suspeitar de depósitos de R$ 38 mil num curto período na conta do caseiro Francenildo Costa não se fez presente quando os milhões de reais  circularam de forma ininterrupta pelas contas do empresário Marcos Valério. O episódio também ajuda a entender a pouca eficácia do órgão, subordinado ao Ministério da Fazenda, no combate à lavagem de dinheiro. Com apenas 30 funcionários, a Coaf se dá ao luxo de dedicar atenção a movimentos inferiores a R$ 50 mil quando depositados na conta dos que incomodam seu chefe.

Vale-tudo
A estarrecedora tentativa de intimidação do caseiro Francenildo Costa deflagrada para tentar manter o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no cargo comprova que o aparelhista-mor petista não era o ex-ministro José Dirceu, mas o titular da Fazenda.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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