A indústria de fundos apresentou um desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026 (1T26). A captação líquida alcançou R$ 159,2 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 8,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. ‘’Este é o melhor resultado para o intervalo nos últimos cinco anos. Com esse desempenho, o patrimônio líquido da indústria de fundos atingiu R$ 10,8 trilhões, apesar das incertezas no cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior”, informou a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O avanço foi impulsionado principalmente pelos fundos de renda fixa. A categoria registrou captação líquida positiva de R$ 130,3 bilhões no primeiro trimestre, mais do que o dobro do observado em igual intervalo do ano passado (R$ 58,3 bilhões). A maior contribuição veio dos fundos do tipo duração baixa crédito livre, responsáveis por R$ 61,8 bilhões do total. Esses produtos podem manter mais de 20% da carteira alocada em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
“Esse resultado mostra a capacidade de adaptação e a solidez da indústria de fundos, mesmo em um ambiente marcado por riscos econômicos e tensões geopolíticas”, afirma Pedro Rudge, diretor da associação. “Com os juros ainda em patamares elevados, a renda fixa segue no radar dos investidores, seja por meio dos fundos tradicionais ou dos ETFs que acompanham índices dessa classe de ativos.”
Os ETFs registraram a segunda maior captação líquida entre todas as classes de fundos. As entradas líquidas somaram R$ 17,8 bilhões entre janeiro e março, o melhor resultado para o período nos últimos cinco anos. Desse total, R$ 15,5 bilhões foram direcionados a ETFs de renda fixa, refletindo a busca por estratégias alinhadas ao cenário de juros elevados.
Os multimercados também encerraram o trimestre no campo positivo, com captação líquida de R$ 11,2 bilhões. Considerando os resultados dos primeiros trimestres desde 2022, esta é a primeira vez que a categoria registra saldo positivo no período. Embora o desempenho tenha sido influenciado majoritariamente por um único fundo — responsável por cerca de R$ 11 bilhões do total —, o dado aponta uma reversão relevante frente ao mesmo período de 2025, quando os multimercados registraram resgates líquidos de R$ 30,1 bilhões.
Na outra ponta, os fundos de ações seguiram apresentando saídas líquidas, ainda que em intensidade significativamente menor. No acumulado do primeiro trimestre, os resgates somaram R$ 6,4 bilhões, bem abaixo dos R$ 34,2 bilhões registrados entre janeiro e março do ano passado. O desempenho foi puxado principalmente pelos fundos de ações livres, que não seguem uma estratégia específica, responsáveis por R$ 5,5 bilhões das saídas no período.
Também fecharam o trimestre com resgates líquidos os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), os fundos de previdência e os cambiais, com saídas de R$ 2,3 bilhões, R$ 309 milhões e R$ 80 milhões, respectivamente.
Na contramão, os FIPs (Fundos de Investimento em Participações) tiveram desempenho positivo, com captação líquida de R$ 6,4 bilhões, assim como os Fiagros, que registraram entradas de R$ 2,4 bilhões no período.
Rentabilidades
Na renda fixa, os fundos do tipo duração baixa crédito livre apresentaram o melhor desempenho no trimestre, com valorização de 3,4%, em linha com o CDI e acima da rentabilidade média da categoria no período, de 2,6%.
Entre os multimercados, o melhor resultado foi dos fundos do tipo long & short direcional, que realizam operações com ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável, por meio de posições compradas e vendidas. No acumulado dos três primeiros meses do ano, esses fundos alcançaram rentabilidade de 3,36%, desempenho bastante superior ao do IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima), que recuou 0,05% no mesmo período e da rentabilidade média da classe no trimestre, de 1,7%.
Já na categoria de ações, o destaque ficou com os fundos do tipo mono ações, que concentram investimentos em ações de uma única empresa. Esses fundos registraram rentabilidade de 29% no trimestre, acima do Ibovespa, que avançou 16,3%, e da rentabilidade média da classe no período, de 10,7%.
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