“O Brasil tem todas as condições para liderar uma transição energética justa e soberana, com desenvolvimento, participação popular e geração de empregos. Nossa matriz elétrica já é uma das mais limpas do mundo, com cerca de 88% de fontes renováveis, contra uma média global de 32%”, acredita o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. O sindicalista estará nesta quinta-feira no Pavilhão Brasil em um painel da COP 30 (A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), que acontece em Belém, no Pará. Ele falará sobre transição energética justa e popular.
Bacelar destaca que a matriz energética brasileira é 49% renovável, muito acima da média mundial, de 14,7%. Porém, esse panorama não é suficiente para assegurar mudanças importantes como a inclusão. “É preciso garantir que a mudança para uma economia de baixo carbono seja inclusiva, observe as diferenças entre o Norte e o Sul Global e as desigualdades regionais no Brasil e não deixe trabalhadores nem comunidades para trás”,
A FUP, que reúne 14 sindicatos da categoria no país, participa pela terceira COP, depois da COP27, no Egito, e da COP28 em Dubai. Na quinta-feira (13), no Pavilhão Brasil (Zona Azul, coordenada pela Organização das Nações Unidas), a federação dos petroleiros estará no painel “A ação sindical no Sul Global por uma transição energética justa e popular: ação coletiva, diálogo social, geração cidadã de dados e trabalho decente”.
Participam também, deste evento, representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Aurora Lab.
A FUP participará ainda de atividades da Cúpula dos Povos, que ocorrerão em paralelo à COP30, com a atuação de povos indígenas, ribeirinhos, camponeses, quilombolas, entre outros. A expectativa dos organizadores é reunir mais de 10 mil pessoas.
As pautas sobre trabalho, transição justa, desenvolvimento sustentável, combate à pobreza energética e o papel dos sindicatos e da negociação coletiva são eixos dos debates das centrais sindicais nacionais e internacionais que estão na COP30, destaca Bacelar.
Estudo
O estudo ‘’Empregos Verdes 2025”, lançado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o Dieese mostra que, enquanto os efeitos da crise climática se intensificam – com enchentes, secas e calor extremo -, milhões de trabalhadores seguem expostos à precarização e baixos salários em atividades chamadas de “verdes”.
Baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o documento revela que, no primeiro trimestre de 2025, 2,9 milhões de pessoas atuam em trabalhos chamados verdes no país, o equivalente a 2,8% da população ocupada.
Cerca de 74% desses trabalhadores estão na informalidade – quase o dobro da média nacional (38%) – e recebem salários inferiores à média nacional. Nos primeiros três meses deste ano, o salário médio nacional foi de R$ 3.318, valor 29% superior ao dos trabalhadores em empregos verdes. E mais: 57,2% deles são homens negros e mais da metade (51,2%) não concluíram o ensino médio.
Para a secretária do Meio Ambiente da CUT, Rosalina Amorim, a ideia de “verde” e “ecologia” deve estar relacionada à justiça social. Segundo ela, emprego só pode ser verde se cumprir a agenda do trabalho decente. Essa discussão está no centro do debate global sobre clima e desenvolvimento sustentável.

















