Furacão de oportunismo

Se o governo norte-americano foi lento na reação aos estragos do furacão Katrina, as ONGs foram muito rápidas em culpar o “aquecimento global” pela pior catástrofe natural da história dos EUA. O Katrina, porém, não foi o mais forte furacão a fustigar a região do Golfo do México. Em 1965, Nova Orleans foi atingida pelo furacão Betsy, que inundou a cidade e causou a morte de 70 pessoas. Quatro anos depois, a região foi varrida pelo Camille, o mais forte até hoje registrado, com ventos de mais de 350 km/h, que deixaram 275 mortos nos estados do Alabama, Louisiana e Mississipi. Segundo especialistas citados pelo boletim Solidariedade Latino-americana, a atual temporada de furacões ainda não se compara à registrada no final da década de 1930 e na de 1940.

À própria sorte
O que parece certo, na Louisiana, é que décadas de intervenções equivocadas do homem nos pântanos e lagoas deixaram a região mais vulnerável aos furacões. Além disso, é certo também que a população norte-americana mais pobre – especialmente a negra – está sem nenhuma assistência do Estado, que ainda culpa os loosers pela própria pobreza. Em 30 anos, o número de pessoas na linha de pobreza aumentou 1,5 ponto percentual: 12,7% dos norte-americanos, 37 milhões de pessoas.

Fantasma
Nova Orleans é mais do que uma agradável cidade à margem do Mississipi conhecida pelo fantástico jazz, pela noite boêmia e pelo Mardi Gras. Do complexo portuário de Nova Orleans sai para o resto do mundo a maior parte das mercadorias agrícolas dos Estados Unidos. É também o mais importante porto para as importações de produtos industrializados. Os processos e negócios físicos de um porto não podem ocorrer um uma cidade fantasma e, neste momento, isto é o que é Nova Orleans. Daí o estrago no PIB norte-americano.

Prova dos nove
O número de estudantes de Administração no país saltou de 237 mil, em 1997, para os atuais cerca de 600 mil, tornando-se a faculdade com maior número de alunos do país, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio). O avanço geométrico no número de alunos, no entanto, não foi acompanhado nem pela excelência do ensino nem pela garantia de acesso ao mercado de trabalho. No último Provão, a média dos exames dos cursos de Administração foi 3,94.
De olho nesse mercado, digamos, secundário, a FGV decidiu usar sua grife para certificar a qualidade das faculdades que firmarem convênio com ela. Até agora, 15 instituições se inscreveram no programa

Banca examinadora
A Associação Brasileira de Educação lança, dia 21, o livro Avaliação institucional: quem acredita?, de Roberto Boclin, vice-presidente do Conselho Regional de Administração do Rio (CRA-RJ) e presidente do Conselho Estadual de Educação. O livro propõe um modelo  de avaliação do ensino superior. O lançamento será na sede da Fecomércio (R. Marquês de Abrantes, 99, Flamengo) às 18 horas.

Café amargo
Ex-protagonista da pauta de exportações do país, o café segue perdendo importância na economia brasileira. Segundo dados da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), o faturamento do setor, medido pelo Valor Bruto da Produção (VBP), baixou de R$ 7,1 bilhões, em 2002, para R$ 4,9 bilhões, em 2003, um tombo de 30,7%. “O parque cafeeiro nacional, presente em cerca de 1.850 municípios, distribuídos em 11 estados brasileiros, apresenta-se, a exemplo de outros países produtores, afetado pela agressiva depreciação de preços observada, principalmente, após a histórica produção mundial de 119 milhões em 2002”, diz Thiago Masson, assessor técnico da Comissão do Café da CNA.

Sem conteúdo
A Globo.com, provedor de acesso à Internet das Organizações Globo, está à venda. O preço, segundo o site Bites, seria de US$ 50 milhões. O Goldman Sachs comanda a venda, que inclui os 170 mil assinantes, além de equipamentos. O conteúdo – filé mingon – não está incluído no negócio. Na febre das pontocom, a Telecom Italia pagou US$ 800 milhões por 30% do portal da Globo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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