Futuro

Inflação em torno de 5%, crescimento de 3,8% do PIB, dólar a R$ 2,28 até junho e talvez a R$ 2,70 no final do ano, por causa do risco político. Estes números fazem parte da projeção feita pelo conselheiro econômico do Sindicato das Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ), Istvan Kasznar.
Em 2005, as previsões de Kasznar não foram tão mal quanto às da maioria dos analistas do mercado. Ele cravara taxa de desemprego abaixo de dois dígitos e IPCA em 5,5%. Mas esperava taxa Selic média de 13,5% e superávit comercial “superior a US$ 26 bilhões” (ficou em US$ 44 bilhões).
Para 2006, o conselheiro da Secif-RJ espera que a balança tenha saldo de US$ 41 bilhões e o risco Brasil feche em 210 pontos.

A culpa do Congresso
Revisitado no fim do século XX e no começo do atual – ainda que com apropriações bastante distintas – o pensador italiano Antonio Gramsci advertia, já há cerca de 60 anos, para a diferença visceral entre a grande e a pequena política. A última se resume às miudezas, como salários de parlamentares, brigas paroquiais, pequenas espertezas, enfim, severinices. Já a grande política, independentemente do viés político e ideológicos dos seus praticantes, trata dos grandes projetos nacionais que influenciarão a vida da nação pelas próximas décadas.
Que a imprensa local, em sua quase totalidade, restrinja sua cobertura à primeira, diz tanto sobre a sua qualidade, quanto denuncia a ausência de projetos nacionais, o que explica por que o país desperdiça seu potencial e futuro já há duas longas décadas – a primeira, perdida; a segunda, desperdiçada.
A ausência da grande política no noticiário amesquinha a representação dessa atividade, tendo como principal corolário um udenismo tardio, portador de uma indignação seletiva. Nesse universo de miudeza política, a imprensa se apresenta como um paladino nacional ao denunciar, por exemplo, que a convocação extra do Congresso custará R$ 100 milhões aos contribuintes. Seria de um patriotismo comovedor, não fosse mera indignação seletiva, como mostra a quase indiferença com que trata a informação do Tesouro Nacional de que o país torrará este ano, não milhões de reais, mas R$ 481 bilhões , com os encargos das dívidas interna e externa.
A culpa do Congresso não se encontra, essencialmente, nas malandragens de muitos dos seus, mas na submissão da sua maioria às políticas de ajuste fiscal que estrangulam o país há uma década. Como sabe qualquer moralista de folhetim, é insustentável defender austeridade para outros, ao mesmo tempo em que se tenta perpetuar as mordomias do poder.

Cinema
Estão abertas até 20 de fevereiro as inscrições de projetos para Apoio Financeiro do Programa Ibermedia, que subsidia projetos cinematográficos ibero-americanos, informa a Agência Nacional do Cinema (Ancine). As modalidades são: formação profissional; coprodução de obras audiovisuais ibero-americanas; desenvolvimento de projetos para cinema e televisão; e distribuição e promoção de obras audiovisuais ibero-americanos. Os editais estão disponíveis em www.programaibermedia.com

Educação
Teve início no dia 2 de janeiro a edição 2006 da Campanha Criança Nota 10 – Sem Educação não há Futuro!, da Legião da Boa Vontade, cujo objetivo é distribuir material escolar para milhares de meninos e meninas que vivem em situação de risco pessoal e social em todo o Brasil. Doações para a campanha podem ser feitas na conta corrente 73.700-2, agência 0237, Banco Itaú.

Pesquisas chilenas
Dessa vez, a diferença ficou dentro da margem de erro, mas de qualquer forma a eleição de Michelle Bachelet, com sete pontos percentuais sobre Sebastián Piñera, para a presidência do Chile, foi muito mais tranqüila do que deixavam antever as pesquisas eleitorais. O próprio Piñera, na véspera do pleito, cantava nas TVs locais uma música do cancioneiro chileno que falava em volta ao lar.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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