Gabão e o Plano Mattei

Entenda o impacto do Plano Mattei nas iniciativas bilaterais entre Itália e Gabão, com foco em projetos estratégicos

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Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália
Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália (foto Governo da Itália, CC3-0)

O Plano Mattei continua seu caminho com o encontro, no Palazzo Chigi, entre a primeira-ministra, Giorgia Meloni, e o presidente gabonês, Brice Clotai-re Oligui Nguema. Este encontro, por um lado, dá continuidade à colaboração bilateral (revelando o apreço do presidente gabonês pela abordagem da Itália, em relação ao continente africano, promovida pelo Plano Mattei) e, por outro, permite que os líderes dos dois países planejem futuras iniciativas em setores estratégicos como energia, infraestrutura e saúde. O encontro contribuiu para fortalecer o alcance do Plano Mattei de diversas formas: da cooperação bilateral a novos projetos de energia e infraestrutura, incluindo o Centro Espacial de Malindi, no Quênia.

Há alguns dias, a Itália e o Gabão assinaram dois novos projetos nos setores de saúde e habitação social, na presença do ministro gabonês das Relações Exteriores, Régis Onanga Ndiaye, do presidente da GKSD Holding, Kamel Ghribi, e do presidente Nguema. A GKSD é a empresa de construção do grupo GKSD Investment Holding Group, líder no setor de construção imobiliária e de saúde.

Um hospital modular será construído no Gabão, como parte de uma estratégia nacional para o fortalecimento do sistema de saúde. Além disso, o Gabão e a GKSD colaborarão na projetação, na área da construção e logística (estradas, energia, água e redes digitais), bem como em energia e meio ambiente, com o compromisso de garantir a sustentabilidade, por meio de energias renováveis, eficiência energética, gestão de resíduos ecologicamente correta e certificações ambientais.

No âmbito das aquisições, os dois países colaborarão no fornecimento de bens e serviços necessários ao projeto. Nessa ocasião, o ministro das Relações Exteriores do Gabão reiterou: “A Itália é parceira e amiga.”

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Entre as iniciativas recentes incluídas no Plano Mattei, destaca-se o Polo Patrimoni (Centro de Patrimônios), fruto do diálogo político entre Itália e Tunísia, com o objetivo de promover o setor do patrimônio cultural, como alavanca para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. Esta ampla cooperação se baseia, também, em eventos históricos. Tal apoio se refletiu na presença do governo italiano quando da inauguração do novo Museu de Gizé, juntamente com 79 personalidades internacionais convidadas para a ocasião, onde esteve presente o Ministro italiano da Cultura, Alessandro Giuli. Esse apoio continua com o space center, em Malindi, no Quênia, que a Itália pretende transformar em “polo continental de formação e excelência”, como explicou Giorgia Meloni, em mensagem lida na segunda edição dos Estados Gerais da Economia Espacial.

“Podemos construir um ecossistema líder nessa área, com serviços confiáveis e valor comercial; temos a oportunidade de contribuir, como protagonistas, para a emergente economia lunar, graças a tecnologias e padrões que levam a marca italiana; pretendemos fortalecer ainda mais o espaço como ferramenta de cooperação internacional, demonstrado pelo Plano Mattei para a África”, acrescentou Meloni.

Não podemos esquecer que o Plano Mattei, expandido, em 2025, para 14 países africanos (incluindo Angola, Gana, Mauritânia, Senegal e Tanzânia), representa a ambição da Itália de construir uma nova parceria com a África. Com seis diretrizes estratégicas e um orçamento de € 5,5 bilhões, a Itália busca se reposicionar como ponte entre a Europa e a África.

No entanto, essa visão apresenta uma lacuna: as conexões aéreas diretas com a África Subsaariana são, ainda, insuficientes. De fato, enquanto o Norte da África já está bem conectado com Roma, a África Subsaariana — coração do Plano Mattei — permanece praticamente inacessível, sem escalas.

A maioria dos viajantes italianos com destino ao Quênia, Tanzânia ou Senegal precisa fazer conexão em hubs europeus como Amsterdã, Frankfurt, Bruxelas, Londres ou Dubai. A Brussels Airlines, por exemplo, opera 56 voos semanais para a África Subsaariana, enquanto a ITA Airways está praticamente ausente nessas rotas.

A medida estratégica de maior impacto seria declarar, formalmente, a ITA Airways como a companhia aérea oficial do Plano Mattei, alocando um orçamento específico de € 300 a 500 milhões, para o período de cinco anos, de 2025 a 2030, destinado ao lançamento de rotas estratégicas para a África.

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