Gangorra

Futebol é tão volátil – e irracional – quanto o mercado financeiro. Superprecificado antes da Copa do Mundo, Ronaldinho – rebatizado de Ronaldo pelo patrocinador – entrou em forte viés de baixa depois que a bola começou a rolar. Bastaram, no entanto, dois gols, ontem, contra o eliminado Japão, na melhor atuação da seleção brasileira, para os operadores do mercado futebolístico voltarem a recomendar a compra das suas ações por preços bem acima do valor de mercado do atacante do Real Madri. O sobe-e-desce deve continuar nas próximas semanas até o fim da participação do Brasil no mundial.

Sonho distante
As vendas de imóveis usados financiadas por empréstimos bancários representaram, em abril, 35% dos negócios fechados nas imobiliárias de seis das mais importantes cidades da Região Metropolitana do Estado de São Paulo – Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco. Foi o percentual mais alto entre as quatro regiões do estado pesquisadas mensalmente pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) sobre as vendas de casas e apartamentos usados e locações residenciais, no entanto, os juros elevados fazem com que esteja muito longe do índice ideal.
“O financiamento bancário vem crescendo consistentemente nos últimos três anos, como mostram os números da pesquisa, mas ainda estamos longe da situação ideal e do fim dessa distorção, que é ter a maioria das vendas sendo feitas à vista”, critica o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

Só à vista
Ainda segundo a pesquisa, a capital paulista teve o segundo maior índice de financiamentos: 30%, seguida pelo Interior, com 29,8%, e pelo Litoral, com 20%. Os empréstimos bancários incluem os concedidos pela Caixa Econômica Federal, por outros bancos estatais, como a Nossa Caixa e instituições privadas. No entanto, em todas as quatro regiões pesquisadas continuam predominando as vendas feitas à vista: 57,23% no ABCD mais Guarulhos e Osasco; 61,22% na capital; 61,14% no Interior; e 67,4% no Litoral.

Fora de esquadro
Participantes do programa Pró-jovem no Piauí reclamam dos critérios usados para pagar bolsa aos alunos. Quem estuda à noite tem direito a auxílio de R$ 100 para cursar o ensino médio – as matérias da 5ª à 8ª série são compactadas em apenas um ano – no turno da noite, pois muitos alunos trabalham. Uma estudante de 18 anos disse a uma fonte da coluna que a maioria dos alunos da sua sala quase não aparece na escola, mas, mesmo assim, recebe o dinheiro da bolsa, enquanto outros, que comparecem assiduamente, nunca foram beneficiadas.

Sem guia
Alô Procons! Participantes do plano de saúde da Unimed se queixam que, há dois anos, não recebem a guia com a relação de médicos e postos de atendimento. A empresa ou alega que a lista não foi publicada ou que já acabou. Já no Nordeste, a HapVida, além de não distribuir as guias, não consegue manter seu site em funcionamento. Quem busca se informar por telefone ou pessoalmente não tem melhor sorte: são comuns os casos de informações erradas sobre horários de atendimento dos médicos e a abrangência dos planos. Além disso, usuários já surpreenderam atendentes jogando paciência nos computadores que deveriam ser destinados ao atendimento.

Azedou
Brasileiros que estão na Europa nessa época de Copa do Mundo continuam a constatar de forma empírica como o Brasil  entrou pela porta dos fundos na globalização. Embora o país seja um dos maiores  produtores de laranja do mundo, enquanto uma caixa de suco na Espanha ou na  França custa o equivalente a R$ 2,76 reais, no Brasil sai a por cerca de R$ 3,50 no Brasil. Já um litro e meio de água mineral (produto do qual o Brasil detém as maiores reservas do mundo) custa apenas R$ 0,57 na Europa, contra até R$ 2, no Brasil.

Primeiro Mundo
Os preços de sapatos e ligações  internacionais mantêm a mesma relação, enquanto as tarifas de serviços como energia elétrica têm preços equivalente. No entanto, os insumos no  Brasil são bem menores. Para arrematar, os correspondentes da coluna informam que livros são vendidos na Espanha a  preço de banana.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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