Ganhos sem limites

Ao defender sua política de empréstimos aos países periféricos para garantir o pagamento de dívidas aos investidores internacionais, o demissionário vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, alegou que “os que reclamam que os empréstimos do FMI deveriam ser menores e menos freqüentes estão dizendo, implicitamente, que deveria haver menos empréstimos internacionais e menos confiança nos mercados de capitais”. Não deixa de ser um ponto de vista. No entanto, uma leitura menos borrada pelo$ interesse$ da banca internacional poderia ser resumida numa única frase: “Quem perde no cassino, tem de pagar a conta.”

Aluno exemplar
O governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira, comemora ter realizado um arrocho nas contas do estado superior ao exigido pelo governo federal. O superávit primário havia sido estipulado em R$ 200 milhões, mas o estado foi além, obtendo superávit de R$ 250 milhões. O mesmo ocorreu nas despesas de pessoal. Em 1994 o nível de comprometimento da receita com o pagamento de pessoal chegou a 91%. Em 2000, baixou para 53,46%, abaixo do limite de 54,89% estabelecido pelo governo federal. Imagina-se o resultado de tal política na vida dos mato-grossenses. Em são Paulo, estado de maior repercussão nacional, a aplicação da política exigida pelo FMI resultou em levas de desempregados, aumento da violência e falência do sistema penitenciário. O resultados está sendo sentido pelos paulistas, mesmo os mais abastados.

Astro virtual
A bolsa eletrônica norte-americana Nasdaq comemorou com festa ontem seus 30 anos. Mas, ao final do pregão, com queda de quase 3%, a festa deixou um sabor amargo. Analistas de mercado mais mordazes comentaram que a escolha de Michael Jackson para comandar a comemoração foi perfeita: o cantor, que parecia ser um campeão de vendas, hoje amarga resultados pífios com seus últimos CDs, longe do sucesso do álbum Thriller.

Cada um por si
Difícil entender como uma pessoa, vestida com um chamativo casaco laranja, ficou circulando pela manhã em uma rua residencial, onde dias antes havia ocorrido um sequestro, sem que despertasse suspeita dos muitos seguranças particulares que ali trabalham.

Plim-plim
Depois de resistir durante anos a mudar sua grade de programação para enfrentar a tática de guerrilha do SBT pela audiência, a Globo – em suprema ironia do destino – viu-se obrigada a derrubar vários de seus programas para exibir o próprio Silvio Santos na sua telinha.

Ouvidos moucos
Antes mesmo do estímulo extra da Câmara de Vereadores ao aumento da poluição sonora, moradores da Zona Sul já se defrontavam com um infortúnio a mais. Desde as mais tenras manhãs, carros de som, funcionando como outdoors ambulantes, têm invadido as ruas dos bairros anunciando produtos os mais variados. O ruído só não incomodou a fiscalização da Prefeitura.

Turbinadas
Os órgãos de defesa do consumidor devem estender a fiscalização sobre fraude na embalagem dos produtos à prestação de serviços. Consumidores que se deram ao trabalho de medir o tempo de duração de suas ligações perceberam que ele começa a ser contado antes de a chamada ser atendida. A contabilidade “extra” se dá tanto nas ligações para telefones fixos como para celulares e independe de as chamadas serem ou não atendidas.

Seguro
O presidente do IBGE, Sérgio Besserman, confirmou ao MONITOR MERCANTIL que os dados referentes ao PIB trimestral utilizam “a metodologia aceita internacionalmente” e que, embora agradeça “as críticas dos clientes”, o instituto está seguro do resultado detectado para o PIB do segundo semestre deste ano, afetado, segundo Besserman, “pela crise argentina, pela elevação das taxas de juros e o racionamento de energia”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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