Gargalos da infraestrutura de conexão no país são desafios para o 5G

Com adiamentos do leilão, empresas no Brasil deixam de gerar US$ 2,2 bi em negócios até 2022, aponta Instituto IT Mídia.

O leilão iniciado ontem é apenas um primeiro passo para a plena implementação do 5G. Para cumprir os prazos estabelecidos pelo edital da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), será preciso superar um sério obstáculo: a inexistência de legislação adequada para a instalação de antenas de telefonia celular na maioria das cidades brasileiras.

Segundo levantamento do Movimento Antene-se – formado por uma coalizão de entidades -, apenas 19 cidades do país contam com regulamentação atualizada e adaptada para as necessidades da nova tecnologia, que vai exigir um número muito maior de infraestruturas de telecomunicação do que o 4G: Brasília, Londrina (PR), Campos de Goytacazes (RJ), Volta Redonda (RJ), Petrópolis (RJ), Itaperuna (RJ), Duas Barras (RJ), Rio das Flores (RJ), Rio de Janeiro, Nova Friburgo (RJ), Porto Alegre, São Caetano do Sul (SP), Santo André (SP), Ribeirão Preto (SP), Suzano (SP), Jaguariúna (SP), Santa Rita do Sapucaí (SP), São João da Barra (RJ), Cardoso Moreira (RJ).

Para cumprir os prazos estabelecidos pelo edital da Anatel, contudo, os concessionários das novas faixas de frequência ofertadas no leilão terão de superar um sério obstáculo: a inexistência de legislação adequada para a instalação de antenas de transmissão (estações rádio base – ERBs) na maioria das cidades brasileiras.

Dependendo da aplicação do serviço, o 5G pode demandar de cinco a 10 vezes mais antenas do que o 4G. A maioria desses dispositivos é de pequeno porte, mas um aumento do número de antenas de grande porte também será necessário.

Estudos realizados pelo Antene-se em seis capitais (Belo Horizonte, Goiânia, Manaus, Natal, Salvador e São Paulo) e também na Região Metropolitana do Rio de Janeiro revelaram que bairros e distritos pobres e periféricos dessas cidades são os que mais sofrem com a precariedade, e mesmo a inexistência de conectividade nessas áreas.

Pouca antena para muitos usuários significa baixa qualidade, ou mesmo inexistência, de sinal de internet. Durante a pandemia, esse problema ficou ainda mais evidente. Moradores das áreas periféricas das grandes cidades, e de muitas regiões do interior do país, que precisavam estudar ou trabalhar online, enfrentaram grandes dificuldades para conectar seus equipamentos, quando não tiveram suas atividades simplesmente inviabilizada. Um preço incalculável cobrado de parte da população pelas deficiências dessa infraestrutura no país.

Em setembro, a Anatel, o Ministério da Economia e o Ministério das Comunicações elaboraram Projeto de Lei padrão, harmonizando as normas federais aos padrões técnicos mais modernos de infraestrutura de antenas. A intenção é que esse PL sirva de referência para os mais de cinco mil municípios brasileiros adotarem leis, em conformidade com a legislação federal e sem a necessidade de muitas adaptações, para destravar os processos de expansão da infraestrutura.

Já estudo do Instituto IT Mídia intitulado Panorama sobre a “Evolução do 5G e oportunidades para o mercado brasileiro” aponta que a demora para a realização do leilão e seus inúmeros adiamentos deve fazer com que US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões, na conversão) de negócios entre empresas (B2B) deixem de ser gerados até 2022. A estimativa compreende o período entre 2020 e 2022, ano em que estava previsto para acontecer a licitação das frequências, até o fim do ano que vem, quando devem ser colhidos, de forma massificada, os primeiros benefícios das implantações. O cronograma foi impactado pela pandemia, o que refletiu em muitos adiamentos.

No estudo, encomendado pelo Instituto IT Mídia à IDC, dados apontam que 71% das pessoas ouvidas ainda não sabem como ou veem vantagem em como 5G melhorará suas experiências pessoais ou ainda apontam que se sentem atendidas pela tecnologia 4G. Como, além da mudança de mindset, a adoção tecnológica passa pela mudança de dispositivo, o desafio de ordem econômica é ainda maior.

Se no B2C a adoção será lenta, no segmento empresarial o tempo urge. E um dos segmentos que deve ser beneficiado, de acordo com o estudo encomendado para a IDC, é o de redes privadas. Entre 2021 e 2024 o crescimento será de 3,6 vezes na América Latina, passando de US$ 55,4 bilhões para US$ 200,2 bilhões em 2024.

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