Garrote total

A tese de que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) – que corrige os empréstimos oferecidos pelo BNDES a algumas das principais empresas do país, e atualmente, está em 6% ao ano – impediria uma queda efetiva da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central deveria ser incluída nos cursos de Direito como caso exemplar de crime perfeito. Primeiro, o BC estrangula a economia praticando os juros reais mais elevados do mundo, mesmo num momento de taxas negativas ou próximas de zero. A seguir, quer impedir que a TJLP dê fôlego a alguns segmentos. Se dependesse dessa receita, o Brasil não teria saído da recessão a que foi conduzido ano passado.

Álibi
Na verdade, a utilização da TJLP como escusa para o BC não baixar os juros é apenas o álibi da vez. A exemplo da fábula do lobo e do cordeiro, caso a TJLP, por exemplo, fosse alçada aos níveis estratósféricos das taxas do sistema bancário privado, certamente, não faltariam novas alegações para não baixar os juros. Seja a necessidade de manter “credibilidade” do BC ou de “movimentos prudenciais” para evitar nova alta da inflação por conta de queimadas na Amazonas, elevar os juros no Brasil tem duas intenções básicas: fechar as contas externas do país, atraindo capital especulativo, e manter em funcionamento o principal mecanismo de transferência de renda do setor produtivo para os especuladores e rentistas. Afinal, a construção de uma das sociedades mais desiguais do mundo não é filha da improvisação.

Tiro nӇgua
A precipitada declaração da secretária de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, sobre o óleo que apareceu em algumas praias da Região dos Lagos deixou excitados defensores dos interesses das multinacionais de petróleo e ONGs ambientalistas, mas não resistiu 24 horas. A secretária apressou-se a suspeitar que o óleo vinha de alguma plataforma. Nesta segunda-feira, já se tem quase certeza de que é proveniente da irresponsável lavagem de tanque de algum navio. E se tem certeza que a mancha no mar é provocada por algas, não por petróleo.
Desde que surgiu a proposta do Governo Lula de mudar as regras de exploração de petróleo de concessão para partilha têm pipocado nos jornalões críticas à exploração do petróleo no mar brasileiro. Turbinados pelo desastre na Golfo do México, os ataques cresceram, e nem bem disfarçam a intenção de engessar a perfuração no mar. Críticas que sumiriam, claro, se outras empresas além da Petrobras pudessem explorar o pré-sal.
Esta coluna sugere chamar uma empresa com larga experiência em exploração de poços em águas profundas: a BP.

Braços abertos
Na próxima quarta-feira, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) lança, no Rio de Janeiro, a Coletânea Turística 2010, fruto de trabalho do Conselho de Turismo da entidade, presidido por Oswaldo Trigueiros. Para o professor Bayard Boiteux, um dos autores, o livro serve como um verdadeiro conjunto de estudos de casos e sugestões feitos ao longo das palestras proferidas no conselho.

Furando o bloqueio
A simples presença e a performance no debate das da Band deu novo fôlego ao candidato à presidência da República pelo PSOL, Plínio Arruda Sampaio, para furar o bloqueio da mídia a sua candidatura. No próximo dia 12, ele grava, no Rio de Janeiro, entrevista para o Jornal Nacional. Plínio aproveitará a presença no Rio para participar, às 9h, na Academia Brasileira de Letras – Avenida Presidente Wilson 203, no Centro – de fórum sobre o “Plano Nacional de Desenvolvimento”. Às 14h, participa de debate sobre Caminhos para o Brasil, na PUC-RJ, ao lado dos economistas João Sicsú e Paulo Ferracioli.

Do ar para os grotões
Uma tecnologia que está sendo empregada para permitir o uso de celulares durante vôos pode ajudar a utilização dos aparelhos em locais de baixa densidade populacional, onde não há antenas das operadoras. Quem informa é o presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telecom), engenheiro Roberto Aroso Cardoso, que viu na Alemanha o nano BTS (Base Telephone Station) que utiliza uma tecnologia que interconecta o avião ao satélite para permitir chamadas telefônicas em qualquer parte do planeta. O custo para utilização do sistema em terra seria muito reduzido comparado aos atuais.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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