Gatilho

A disparada do preço da gasolina em São Paulo, que chegou a inacreditáveis R$ 5 em alguns postos, proporcionou duas lições emblemáticas sobre o significado do “livre mercado”. A primeira, veio da ganância dos donos de postos de gasolina, que, atropelando a lei que pune crimes contra a economia popular, aproveitaram a dificuldade de abastecimento devido à greve dos caminhoneiros para praticar preços abusivos. O movimento mostrou ainda o que aconteceria no país se as tarifas dos combustíveis acompanhassem a “livre flutuação” das cotações dos especulativos mercados futuros de petróleo, como defendem notórios lobistas das petrolíferas multinacionais.

Menos
Ao comentar a palestra feita semana passada pelo economista Nildo Ouriques, da UFSC, no Rio, o economista Paulo Passarinho, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ), mostrou-se bem mais pessimista que o palestrante, para quem a América Latina está na vanguarda do debate sobre o “socialismo do século XXI”: “Não sou tão otimista. A atuação da esquerda nos meios de comunicação de massa é pífia. O projeto neoliberal na América Latina não foi superado e, talvez, o Brasil tenha ajudado nisso”, disse, acrescentando que o sucesso das lutas reformistas e revolucionárias em Venezuela, Equador e Bolívia, além da Argentina, “não exclui o fracasso na Colômbia, em Brasil, Peru, Chile, Uruguai, sem falar na América Central.”

Aventura
Para Passarinho, o Brasil é o problema central da região: “A aventura centrada no endividamento, fiador do tripé macroeconômico (câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário) foi mantido por Dilma Rousseff e limita qualquer mudança. Por sinal, a mudança trazida por Lula foi a consolidação desse modelo”, criticou, acrescentando: “O Brasil é a principal plataforma de articulação dos interesses das multinacionais na região. O BNDES fortalece grupos monopolistas, não só no Brasil, mas em toda a América Latina”.

Oportunidade desperdiçada
O conselheiro do Corecon-RJ disse ainda que o ex-presidente Lula “teve a capacidade de tornar popular o projeto das transnacionais e anular o MST”. Para Passarinho, o papel do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é importante, mas não se compara com a ofensiva neoliberal na região: “A conjuntura de 2002 era altamente favorável às esquerdas, mas o Brasil não soube aproveitar. Muito pelo contrário.”

Cerveja cor de rosa
Vencedora do prêmio internacional Tecno Bebida Award, a Bacuri Beer, da cervejaria Amazon Beer, tem uma particularidade, digamos, de gênero: 72% dos consumidores do chope da marca são mulheres. A descoberta foi feita em pesquisa na Estação das Docas, em Belém (PA), onde funciona o bar de fábrica da cervejaria. Os fabricantes atribuem o fenômeno ao fato de a bebida conter só 3,8% de teor alcoólico, possuir perfume acentuado e sabor leve. E segue uma tendência do mercado cervejeiro de investir bebidas com aromas e sabores voltados ao paladar feminino: “Além disso, o fruto tem poder antiinflamatório e cicatrizante”, afirma a nutricionista Gabriela Fregolente.

Ocupados
O mercado de condomínios logísticos está aquecido na região Sul, segundo estudo da Colliers International divulgado esta semana. O levantamento mostra que os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul terminaram 2011 com taxa de vacância zero. O valor médio da locação teve aumento de 15%, a maior alta do País – o dobro dos 7% registrados no Sudeste. Atenta ao mercado, a CapitalRealty está investindo R$ 200 milhões na construção de um condomínio em Curitiba (PR) e ampliação de outro em Itajaí (SC).

Vôo de galinhazinha
Para justificar o pífio crescimento do Brasil em 2011, de 2,7%, alguns setores, de dentro e fora do governo, recorreram a argumentos estatísticos, alegando que o número do PIB não seria tão ruim por se dar sobre uma base elevada de comparação – 7,5%, em 2011. Os autores de tal racionalização, porém, desconsideram que o aumento de 2010 ocorreu sobre uma base comprimida, de -0,2%, em 2009. Ou seja, em três anos, o Brasil cresceu, em média, apenas 3,3%, pouco mais que um vôo de galinha.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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