General joga povo contra o Congresso

Augusto Heleno vê ‘chantagem’ nas negociações sobre os vetos da LDO

Política / 23:13 - 19 de fev de 2020

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O general-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, defendeu nesta quarta-feira que o presidente Jair Bolsonaro “convoque o povo às ruas” para afrontar o Congresso por causa do acordo que permite que os parlamentares controlem diretamente parte do orçamento. Para Heleno, o acordo é fruto de uma “chantagem” e o fato não deve ser aceito pelo governo.

Também entende que o acordo feito pelo também general e ministro da Secretaria de Governo, Eduardo Ramos, que permite que os parlamentares controlem parte do orçamento impositivo, é fruto de uma “chantagem” do Congresso e que o fato não deve ser aceito pelo governo. Mais cedo, em um áudio vazado durante a cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, Heleno afirmou que “não podemos aceitar esses caras (Congresso) chantagearem a gente o tempo todo. Fo...-se”.

O temor do Planalto e seus aliados é que o protagonismo do Congresso acabe fazendo com que Bolsonaro governe por meio de um sistema parlamentarista, o que tornaria a gestão “acuada” frente às pressões parlamentares.

 

Radical ideológico’

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu à declaração do general com respeito as negociações sobre os vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Parlamentares ainda analisarão as propostas da LDO. Segundo Maia, a postura do ministro é “triste” e ele se comporta como um adolescente ao agredir o Parlamento.

Geralmente, na vida, quando a gente vai ficando mais velho, a gente vai ganhando equilíbrio, experiência e paciência. O ministro, pelo jeito, está ficando mais velho e está falando como um jovem, um estudante no auge da sua juventude”, disse o parlamentar, que teve encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

"É uma pena que o ministro (Heleno) com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico contra a democracia, contra o Parlamento. Muito triste. Não vi por parte dele nenhum tipo de ataque quando a gente estava votando o aumento do salário dele como militar da reserva", acrescentou.

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