Genérico

Se fosse necessário condensar numa única frase o nível de atordoamento de que foi tomado o governo, bastaria a inacreditável reconstituição, pela voz do ministro da Articulação Política, Aldo Rabelo, do diálogo mantido no Palácio do Planalto pelo presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), com o presidente Lula. Segundo Aldo, ninguém teve interesse em cobrar de Jefferson maiores detalhes, porque as afirmações eram “muito genéricas”. Ou seja, normal como tomar um copo d”água.

Isonomia
A demissão do terceiro escalão no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB-Brasil Re) e nos Correios mostra que o presidente Lula mudou de critério quanto a não demitir acusados de irregularidades antes de uma decisão final do Judiciário. Falta estender o critério ao primeiro escalão, no qual o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Previdência, Romero Jucá, são alvos de denúncias tão ou mais graves.

Concurso furado
Nestes tempos de escândalos com nomeações de apadrinhados para cargos de confiança, vale conhecer decisão da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que manteve a condenação imposta pelo TRT do Espírito Santo ao Banco do Brasil. O BB terá de pagar indenização por danos morais e materiais a um bancário demitido no dia seguinte à sua posse na instituição; terá, ainda, de reintegrá-lo ao emprego.
Além de abusiva, a demissão de bancários concursados um dia após a posse, no entendimento do TST, é uma forma de fraudar a seleção. Ao nomear um candidato aprovado e demiti-lo no dia seguinte, é possível chamar o concursado seguinte na ordem de classificação, sem supostamente violar o concurso.
O vice-presidente do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, qualificou a conduta como “fraude escancarada” ao instituto do concurso público. Esta é a segunda condenação do BB confirmada pelo TST nos últimos dias. Sanção semelhante, imposta pelo TRT gaúcho, foi mantida pela Quinta Turma do TST no mês passado.

Soluções simples
Dois colunistas neoliberais acreditam que a corrupção é causada pela pressão dos inescrupulosos políticos aboletados em empresas estatais sobre inocente empresários privados. Assim chegaram à conclusão que a única solução é privatizar tudo no Brasil. Olhando exemplos no exterior, como Enron e MCI, talvez a conclusão mais correta seria a de estatizar tudo. Com tudo estatal, não haveria quem pagar a propina. O que só comprova o ditado de que, para todo problema complexo, existe uma solução simples… porém errada.

Soft do soft
Um software completo para gerenciamento de atualização e instalação de… softwares! Cada vez mais a indústria de informática se encaixa na frase que brinca que “os computadores vieram para resolver todos os seus problemas… que você não tinha antes dos computadores chegarem”.
Para quem é da área, o programa chama-se Track-It! Patch Manager e foi lançado pela Inspirit.

No pé
O primeiro exame de 2005 da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mostra que é longa, porém indispensável, a luta que deve ser travada pelo Ministério da Educação pela qualidade do ensino. Segundo a seção OAB do Amapá, dos 135 candidatos inscritos, apenas 16 bacharéis em Direito foram aprovados. Ou seja, a reprovação atingiu 88,15%: “Não estamos preocupados com a quantidade, mas sim com a qualidade dos nossos profissionais do Direito. Temos a obrigação de cobrar das faculdades de Direito e dos cursos jurídicos uma qualidade de ensino à altura da profissão”, destacou o presidente da OAB-AP, Washington Caldas.

OPTei
Esta coluna – instada por inúmeros petistas – gostaria de saber como se sente José Genoino ao excluir o senador Eduardo Suplicy da sua chapa para o comando do PT e manter o engenheiro financeiro Delúbio Soares.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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