Geraldo Haddad

A reação dos políticos à chacina da PM paulista contra os que participavam da pacífica manifestação contra o aumento de 6,6% do preço da passagem de ônibus criou um novo personagem na cena nacional: Geraldo Haddad. Quem ouviu de olhos fechados a retórica esgrimida por ambos contra os manifestantes teve dificuldade de distinguir se quem falava era Geraldo Alckmin (PSDB) ou o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).
 
Os quartéis de Alckmin
A demonstração de ódio exibida pela PM do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), durante o protesto não é fruto de improviso nem se resume a desvario isolado. Como o mostra o olhar injetado de sangue dos policiais ao agredirem manifestantes, jornalistas e transeuntes, esse tipo de ação é parte de uma doutrina já imortalizada há cerca de 50 anos nos versos contundentes de Geraldo Vandré: “Nos quartéis lhes ensinam antigas lições: de morrer pela pátria e viver sem razões”.
 
Novo PT?
Ao se juntar ao tucano Alckmin para demonizar os protestos, Haddad, aparentemente de olho nos votos de setores mais conservadores da classe média e/ou ainda no fuso horário de Paris, produziu a seguinte síntese do novo petismo: “São Paulo está acostumada às manifestações. O que a cidade não aceita é a forma violenta de se manifestar e se expressar. Com isso não compactuamos. A renúncia à violência é o pressuposto de diálogo”, proclamou.
Tem toda razão, mas, para dar consequência ao exposto, deveria interceder junto ao governador para que este deixe de ver estudantes e trabalhadores como inimigos da pátria. A não ser, que, na nova gramática petista, violento seja o povo.
 
Vácuo
Além de se concentrarem no sensível setor de transportes, as manifestações, principalmente, em São Paulo chamam a atenção pela ausência estrondosa de partidos e entidades tradicionalmente ligadas às lutas estudantis, como UNE e outras cooptadas pelo projeto petista. Desse modo, movimentos ainda na sua infância ocupam, muitas vezes de forma quase artesanal e inexperiente, o vácuo deixado pelos que deveriam estar ajudando a organizar os protestos.
 
Brutalidade
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condenou a violência policial contra jornalistas que cobriam manifestação em São Paulo, nesta quinta-feira. “De acordo com todas as evidências, inclusive imagens e depoimentos dignos de confiança, a ação policial extrapolou o rigor cabível em ações voltadas à manutenção da ordem. Em particular, é inaceitável a prisão de repórteres e a brutalidade empregada pelas forças policiais contra jornalistas, mesmo depois de identificados”, protesta a ANJ.
 
Saudades da ditadura
Ainda que tente se disfarçar, o grupo Globo não consegue esconder seu DNA autoritário. A demonização dos atos em São Paulo pelos âncoras dos telejornais globais conseguiu esbarrar até na própria cobertura do canal. Enquanto vociferavam contra os manifestantes, colocando a população como indefesa refém de “vândalos”, os âncoras eram desmentidos pelos jornalistas nas ruas, que mostravam a brutalidade dos policiais, muitos com nomes e patentes cobertos por fitas para não serem identificados. Entrevistadas, pessoas que não participaram da manifestação criticavam as balas de borracha e o gás de pimenta. Pode-se imaginar o que há no material cortado na edição. Quem sabe até a imagem de um policial quebrando o vidro da própria viatura.
De nada adianta publicar – agora – matérias condenando a violência nos “anos de chumbo”. Tal qual o escorpião da fábula, a fascinação pela ditadura faz parte da natureza global.
 
Autovistoria
Para discutir a nova lei de autovistoria predial, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) realiza palestra, nesta quarta-feira, às 10h, com o deputado Luiz Paulo Corrêa. A CAU fica na Rua Evaristo da Veiga 55, 21º andar.
 
Atchim
Quem for ao New York City Center, na Barra da Tijuca, neste sábado, poderá participar do Jogo dos Aromas, em que o público tenta identificar dez cheiros diferentes. É parte da campanha “Respire pelo Nariz e Viva Melhor”, coordenada pelos otorrinolaringologistas Leonardo Sá e João Teles Junior, que informa à população sobre alergias e problemas respiratórios, mais frequentes no inverno.
 
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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