Gestores de investimento e bancos apoiam economia circular

CEOs e executivos, representando US$ 18 tri em ativos, estão entre os signatários de pesquisa.

Mercado Financeiro / 23:35 - 15 de set de 2020

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Mais de 30 CEOs e executivos de alto escalão dos principais gestores de ativos e bancos, incluindo BlackRock, BID Invest, Barclays, Citi, Credit Suisse, Banco Europeu de Investimento, negócios internacionais de Federated Hermes, Goldman Sachs, HSBC, LGIM, Lloyds Banking Group, ING, Intesa Sanpaolo , JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Rabobank, Standard Chartered e UBS, entre outros - que, juntos, representam US$ 18 trilhões em ativos - estão apoiando a pesquisa da Fundação Ellen MacArthur, uma organização sem fins lucrativos com atuação global, publicada nesta terça-feira.

O relatório destaca o rápido crescimento no financiamento da economia circular.

Em seu relatório Financiamento da economia circular: aproveitando a oportunidade, a Fundação Ellen MacArthur publicou uma nova análise que destaca a rápida expansão do investimento e de outras atividades relacionadas a serviços financeiros na economia circular. “O relatório apresenta as oportunidades de investimento, atividades bancárias e de seguros, e faz um chamado para que o setor financeiro aproveite todo o potencial, ampliando a economia circular em colaboração com governos e empresas”, destacou a fundação.

De acordo com o relatório, embora não existisse fundos deste tipo em 2017, nos últimos três anos, dez fundos de ações públicas com foco parcial ou totalmente na economia circular foram lançados por alguns dos principais atores do setor financeiro, incluindo BlackRock, Credit Suisse e Goldman Sachs. O valor total de ativos administrados por esses fundos aumentou seis vezes desde o início de 2020, de US$ 300 milhões para mais de US$ 2 bilhões. Em média, esses fundos tiveram desempenho cinco pontos percentuais melhor do que seus benchmarks da categoria Morningstar durante esse período.

Temos visto um enorme crescimento no financiamento da economia circular nos últimos três anos, com os principais participantes capitalizando seu potencial de criação de valor ao mesmo tempo em que atendem às metas de mudança climática. Investidores, bancos e outras empresas de serviços financeiros podem desempenhar um papel vital na rápida expansão da economia circular, apoiando as empresas para que elas possam fazer essa mudança e aproveitar novas e melhores oportunidades de crescimento”, destaca o CEO da Fundação Ellen MacArthur, Andrew Morlet.

 

Títulos corporativos

 

Nos últimos 18 meses, pelo menos dez títulos corporativos para financiar práticas de economia circular foram emitidos com a ajuda do Barclays, BNP Paribas, HSBC, ING, Morgan Stanley e outros. Segundo a fundação, desde 2016, houve um aumento de dez vezes no número de fundos do mercado privado - incluindo capital de risco, capital privado e dívida privada - investindo em atividades de economia circular.

Esta expansão do investimento na economia circular é, em parte, resultado da crescente compreensão do papel central que a economia circular pode desempenhar no combate às mudanças climáticas e em outras questões ambientais, sociais e de governança (conhecidas em inglês pela sigla ESG)”, cita o relatório.

Uma pesquisa publicada pela Fundação em setembro de 2019 mostrou que se a economia circular fosse adotada em apenas cinco setores-chave (aço, alumínio, cimento, plástico e alimentos), as emissões anuais de gases de efeito estufa poderiam cair 9,3 bilhões de toneladas de CO2 em 2050, o que equivale às emissões do setor de transporte no mundo.

A transição para a economia circular também oferece novas oportunidades de crescimento significativas. Por exemplo: A adoção de princípios de economia circular na Europa em termos de mobilidade, construção e alimentos pode oferecer rendimentos anuais de EUR 1,8 trilhão (US$ 2,1 trilhões) em 2030; Na China, a aplicação de práticas de economia circular em escala em cinco setores-chave poderia economizar CNY 70 trilhões (US$ 10 trilhões ou 16% do PIB projetado da China) para empresas e famílias em 2040.

Gema Sacristan, diretora de investimentos do BID Invest, disse: “A construção de uma economia circular requer ações decisivas de todos os atores da sociedade. Isso se aplica especialmente ao setor financeiro, que pode ser fundamental para alcançar mudanças reais ao oferecer os instrumentos certos, promovendo transformações nos negócios e ao mesmo tempo gerando retornos financeiros e valor em longo-prazo”.

 

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