Globalização vira-lata

Pedro Pinho, colaborador deste MONITOR MERCANTIL, assinala a nova fase do processo de dominação da banca (como ele chama o sistema...

Pedro Pinho, colaborador deste MONITOR MERCANTIL, assinala a nova fase do processo de dominação da banca (como ele chama o sistema financeiro internacional): a naturalidade das ações, até então “nas sombras”. Ele fez o comentário acerca de artigo do francês Jacques Sapir, diretor do Centre d’Étude des Modes d’Industrialisation (CEMI-EHESS) sobre o presidente da França, Emmanuel Macron. Sapir critica – de forma mais que veemente – declaração feita por Macron, em que o presidente desqualifica quem se opõe a seu projeto. Diz o economista francês: “Há, por trás o sentimento de superioridade combinada à certeza de ter razão, de encarnar o ‘campo do bem’, que se vê tão disseminado nessa dita ‘elite’ neoliberal. Parte porque aquela ‘elite’ crê-se detentora de saberes superiores, parte porque está convencida de que esse saber determina uma indulgência da qual só aquela ‘elite’ seria beneficiada e que, assim sendo, seria ‘normal’ que aquela ‘elite’ despreze os adversários políticos.”

Macron está atuando no novo patamar da banca, destaca Pinho. “Não se domina o mundo apenas com a força das armas e do dinheiro; domina-se principalmente pela cultura colonial.” E prossegue: “Recorde que o domínio colonial inglês foi feito com a desconstrução de culturas asiáticas milenares, com o aniquilamento de um mundo ideológico extraordinariamente rico da África.” “É persistente a campanha de demolição, que nos faz, por exemplo, ter o complexo de vira-lata. Diria que a banca”, afirma Pinho, “para a conquista das mentes – pois os corpos já considera dominados – passa à globalização do ‘sentir-se vira-lata’”.

Jacques Sapir recusa o papel de vira-lata e adverte: “Macron pode terminar com a cabeça espetada numa vara.” No país da Bastilha, não se pode tomar a frase apenas no sentido figurado.

 

Protege todos

Será julgada nesta quarta-feira, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o recurso especial (RE) 573.232-SC que pode limitar o alcance das ações coletivas de defesa do consumidor. Segundo o Instituto Defesa Coletiva, o recurso desperta grande interesse das instituições financeiras, já que, se acolhido, a execução de sentenças coletivas poderá ser aplicada apenas a consumidores associados a alguma instituição (no momento em que for ajuizada a ação).

Junto com nove entidades de defesa do consumidor, o Instituto lançou a campanha Protege Um, Protege Todos. O objetivo é sensibilizar o Judiciário sobre a importância das ações coletivas e a manutenção de direitos dos consumidores.

Atualmente, caso um banco lese milhares pessoas com a cobrança de uma tarifa indevida, as ações coletivas garantem que uma decisão favorável seja aplicada a todos os correntistas brasileiros. Se isto for alterado, os consumidores, além de se filiar a alguma associação, deverão assinar autorizações individuais para participar dos processos coletivos.

Seria um retrocesso, um contrassenso, logo na semana em que o Código de Defesa do Consumidor completa 27 anos”, pondera Lillian Salgado, presidente o Defesa Coletiva.

 

Pires

As centrais sindicais – sem a CUT – e empresários se encontrarão com o presidente da República, Michel Temer, às 11 horas desta terça-feira. Na pauta, medidas de curto prazo para o país voltar a crescer e as alterações na reforma trabalhista – especialmente algum alívio no fim do imposto sindical.

 

Carga extra

A Capitania dos Portos de Santa Catarina elevou os parâmetros operacionais para manobras de navios no o Porto Itapoá. O aumento de calado vai permitir que cada embarcação carregue cerca de 5 mil toneladas a mais de produtos, um incremento de aproximadamente 400 contêineres por embarcação.

 

Rápidas

A FGV realiza nesta quarta o seminário Desastres Ambientais: Experiências Nacionais e Internacionais. São esperados os ministros Sarney Filho e Helder Zahluth Barbalho; e os governadores Fernando Pimentel e Paulo Hartung. A situação atual e as perspectivas do Rio Doce após o desastre de Mariana será um dos temas em debate *** O Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio realiza nesta terça-feira debate aberto sobre a situação da Venezuela. A partir das 17h, na sala F401 *** O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), em conjunto com um grupo de ouvidorias públicas, realiza a ação “Ouvidorias públicas nas ruas”. Nesta terça-feira, a campanha estará na área externa da Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorEle, robô
Próximo artigoFuracão globalizado

Artigos Relacionados

Brics+ será gigante em alimentos e energia

Bloco ampliado desafia EUA rumo a nova ordem mundial.

Para combater Putin, adeus livre mercado

Teto para preço do petróleo é nova sanção desesperada do G7.

Inflação engorda lucros de bilionários de energia e alimentos

Fortunas dos ricaços desses 2 setores aumentaram US$ 1 bilhão a cada 2 dias desde 2020.

Últimas Notícias

Pré-candidatura de Ceciliano ao Senado ganha apoio na Região Serrana

Prefeito do PSB vira as costas para candidato do partido.

Informalidade atinge 40,1% da população ocupada

Segundo IBGE, desemprego caiu para 9,8%; rendimento fica estável.

Empresas buscam alternativas para captar recursos

Por Luciano Camargo Neves.

Bacen chinês enfatiza importância de apoio financeiro à economia real

O banco central da China disse nesta quarta-feira que irá construir um mecanismo eficaz para fornecer apoio financeiro à economia real.

Ambiente de negócios chinês aumenta confiança de empresas estrangeiras

Os esforços da China no aprimoramento do ambiente de negócios aumentaram a confiança das empresas estrangeiras, fortalecendo as suas determinações em expandir o investimento na China, segundo o Conselho Chinês para Promoção do Comércio Internacional (CCPIT).