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sexta-feira, janeiro 22, 2021

Globalização vira-lata

Pedro Pinho, colaborador deste MONITOR MERCANTIL, assinala a nova fase do processo de dominação da banca (como ele chama o sistema financeiro internacional): a naturalidade das ações, até então “nas sombras”. Ele fez o comentário acerca de artigo do francês Jacques Sapir, diretor do Centre d’Étude des Modes d’Industrialisation (CEMI-EHESS) sobre o presidente da França, Emmanuel Macron. Sapir critica – de forma mais que veemente – declaração feita por Macron, em que o presidente desqualifica quem se opõe a seu projeto. Diz o economista francês: “Há, por trás o sentimento de superioridade combinada à certeza de ter razão, de encarnar o ‘campo do bem’, que se vê tão disseminado nessa dita ‘elite’ neoliberal. Parte porque aquela ‘elite’ crê-se detentora de saberes superiores, parte porque está convencida de que esse saber determina uma indulgência da qual só aquela ‘elite’ seria beneficiada e que, assim sendo, seria ‘normal’ que aquela ‘elite’ despreze os adversários políticos.”

Macron está atuando no novo patamar da banca, destaca Pinho. “Não se domina o mundo apenas com a força das armas e do dinheiro; domina-se principalmente pela cultura colonial.” E prossegue: “Recorde que o domínio colonial inglês foi feito com a desconstrução de culturas asiáticas milenares, com o aniquilamento de um mundo ideológico extraordinariamente rico da África.” “É persistente a campanha de demolição, que nos faz, por exemplo, ter o complexo de vira-lata. Diria que a banca”, afirma Pinho, “para a conquista das mentes – pois os corpos já considera dominados – passa à globalização do ‘sentir-se vira-lata’”.

Jacques Sapir recusa o papel de vira-lata e adverte: “Macron pode terminar com a cabeça espetada numa vara.” No país da Bastilha, não se pode tomar a frase apenas no sentido figurado.

 

Protege todos

Será julgada nesta quarta-feira, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o recurso especial (RE) 573.232-SC que pode limitar o alcance das ações coletivas de defesa do consumidor. Segundo o Instituto Defesa Coletiva, o recurso desperta grande interesse das instituições financeiras, já que, se acolhido, a execução de sentenças coletivas poderá ser aplicada apenas a consumidores associados a alguma instituição (no momento em que for ajuizada a ação).

Junto com nove entidades de defesa do consumidor, o Instituto lançou a campanha Protege Um, Protege Todos. O objetivo é sensibilizar o Judiciário sobre a importância das ações coletivas e a manutenção de direitos dos consumidores.

Atualmente, caso um banco lese milhares pessoas com a cobrança de uma tarifa indevida, as ações coletivas garantem que uma decisão favorável seja aplicada a todos os correntistas brasileiros. Se isto for alterado, os consumidores, além de se filiar a alguma associação, deverão assinar autorizações individuais para participar dos processos coletivos.

Seria um retrocesso, um contrassenso, logo na semana em que o Código de Defesa do Consumidor completa 27 anos”, pondera Lillian Salgado, presidente o Defesa Coletiva.

 

Pires

As centrais sindicais – sem a CUT – e empresários se encontrarão com o presidente da República, Michel Temer, às 11 horas desta terça-feira. Na pauta, medidas de curto prazo para o país voltar a crescer e as alterações na reforma trabalhista – especialmente algum alívio no fim do imposto sindical.

 

Carga extra

A Capitania dos Portos de Santa Catarina elevou os parâmetros operacionais para manobras de navios no o Porto Itapoá. O aumento de calado vai permitir que cada embarcação carregue cerca de 5 mil toneladas a mais de produtos, um incremento de aproximadamente 400 contêineres por embarcação.

 

Rápidas

A FGV realiza nesta quarta o seminário Desastres Ambientais: Experiências Nacionais e Internacionais. São esperados os ministros Sarney Filho e Helder Zahluth Barbalho; e os governadores Fernando Pimentel e Paulo Hartung. A situação atual e as perspectivas do Rio Doce após o desastre de Mariana será um dos temas em debate *** O Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio realiza nesta terça-feira debate aberto sobre a situação da Venezuela. A partir das 17h, na sala F401 *** O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), em conjunto com um grupo de ouvidorias públicas, realiza a ação “Ouvidorias públicas nas ruas”. Nesta terça-feira, a campanha estará na área externa da Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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