Globalizar é…

Embora Mr. Greenspan proclame que o aumento da produtividade da economia dos Estados Unidos se refletiu no aumento do bem-estar geral da sociedade norte-americana, a diferença entre os mais pobres e mais ricos vem se acentuando naquele país. Segundo dados do Gabinete Orçamentário do Congresso norte-americano reproduzidos pela publicação Solidariedade Ibero-americana, em 1977 os 20% mais ricos detinham 44,2% da renda do país, enquanto os 80% mais pobres ficavam com 55,8%. Em 99, porém, os 20% mais ricos abocanharam 50,4% da renda nacional contra 49,6% dos 80% restantes. No total, houve um avanço de 12,4 pontos percentuais a favor dos 20% mais ricos, que, pela primeira vez na história dos EUA, passaram a concentrar mais renda que os 80% restantes dos norte-americanos.
Distribuição às inversas
A diferença se revela ainda mais aguda quando se analisa os extremos da pirâmide social dos EUA. Em 1977, 1% de norte-americanos mais ricos controlava 7,3% da renda nacional, enquanto os 38% mais pobres detinham 13% da riqueza dos EUA. Ano passado, os que ocupavam o topo da pirâmide do país abocanharam 16,2% da renda, restando aos 38% mais pobres apenas 12,9% da riqueza norte-americana.

Deboche
A troca da data do reajuste do salário mínimo para 4 de abril chega com três dias de atraso. Para quem destina à base da sociedade brasileira um mínimo de R$ 151, não poderia ter outra data-base mais significativa que o 1º de abril.

Sigilo
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), pré-candidato à presidência da República, defende o fim do sigilo bancário para integrantes do serviço público, a começar pelo presidente da República. Ministros, diretores de órgãos públicos e parlamentares também teriam suas contas abertas. O projeto de lei número 05/95, que exclui autoridades públicas do sigilo bancário, apresentado por Simon em 1995, foi aprovado no Senado e está tramitando há quatro anos na Câmara dos Deputados (onde recebeu o número 82/96), sem muita pressa dos colegas do senador. “O Brasil é o país da impunidade e é nossa responsabilidade reagir contra essa situação”, afirma o Simon.

Trabalho escravo
As universidades públicas das regiões Norte e Centro-Oeste pesquisarão as condições sócio-econômicas de regiões onde existe o trabalho escravo, levando assistência médica e jurídica aos trabalhadores. A proposta foi apresentada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), ao Departamento de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e obteve apoio, também, dos ministérios do Trabalho e Público e da Polícia Federal.

Economia
Quem quiser saber de uma forma rápida as tarifas de telefonia mais em conta pode acessar a página www.ta.taa.nom.br , que traz dados que a Anatel – que deveria controlar o setor – promete há alguns meses.

Negócio limpo
A preocupação com ecologia está aumentando os negócios de empresas que atuam na área de resíduos ambientais, que vêem o mercado em ebulição. A regulamentação da Lei de Crimes Ambientais (9605), que estipula multas de até R$ 50 milhões, e o posicionamento da opinião pública contra a poluição estão exigindo maior volume de investimentos das empresas. Com isso, uma companhia paulista de tratamento de resíduos, a Boa Hora Central de Tratamento, por exemplo, registrou aumento de 50% na quantidade de resíduos recebidos.

Projeto
O anúncio do reajuste de R$ 15 para o salário mínimo um dia depois de o governo manter o engessamento da taxa básica de juros em 19% ao ano reafirma verdade só imperceptível para os mais ingênuos: o crescimento medíocre é parte indissociável do projeto destinado ao país pela plutocracia instalada nos posto-chave da economia.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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