Gogó

A arrecadação do ICMS no Rio de Janeiro teve crescimento nominal de 14,9% no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em termo reais e tendo o Índice Geral de Preços Industriais (IGP-DI) como indexador, no entanto, a arrecadação ficou praticamente estagnada, com crescimento de apenas 0,1%. Os dados são do Sindicato dos Fiscais de Renda do Estado do Rio de Janeiro (Sinfrerj), que acusa o governador Anthony Garotinho de substituir o aumento real da receita do estado por uma estratégia de marketing.
Dependência
O Sinfrerj alerta ainda que a receita do estado está cada vez mais dependente do recebimento de roylaties e participações especiais do petróleo. O sindicato cita relatório do conselheiro Sérgio Quintella, do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), segundo o qual a participação desse item no ICMS estadual saltou de 0,7%, em 1997, para 9%, no primeiro semestre de 2000. Nos primeiros seis meses deste ano, segundo o relatório, o dinheiro arrecadado com o petróleo representou 4,8% da receita total e a projeção é de que, em breve, chegue a 10% do total recolhido pelo estado.
Para o sindicato, esse quadro está ajudando a mascarar resultados setoriais preocupantes, o que pode resultar em sérios problemas para o caixa do estado, caso a cotação do petróleo no mercado internacional não se sustente e reduza fortemente a arrecadação do Rio.

Para baixo
As previsões de saldo da balança comercial para 2001 estão mais comedidas, após o fraco desempenho deste ano, que derrubou as expectativas do “mercado”. O Ibef, que reúne instituições financeiras, prevê saldo de US$ 2,5 bilhões no ano que vem. No final de 99, a previsão da entidade era de superávit de US$ 2 bilhões na balança comercial, opinião de 41% dos executivos ouvidos, e entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões para 25% dos entrevistados. O país deve fechar 2000 com déficit de cerca de US$ 200 milhões – embora esta coluna ache este número ainda fruto do otimismo natalino.

Fernanda e Gore
A atriz Fernanda Montenegro, quem diria, acabou no meio das eleições dos Estados Unidos. Ela foi incluída na lista de maus perdedores que apareceu ontem em um artigo do jornal Chicago Tribune. A grande imprensa norte-americana vem se esforçando para colocar em Gore a pecha de mau perdedor, numa forma de tentar abreviar a definição das eleições a favor de Bush. “A estrela brasileira perdeu o Oscar de Melhor Atriz de 1998 para Gwyneth Paltrow (Shakespeare in Love). Ela definiu Paltrow como uma figura romântica e virginal e disse que Hollywood lhe dera o Oscar como um investimento de longo prazo. Além disso, criticou duramente Life Is Beautiful (que ganhou do brasileiro Central do Brasil), que ficou com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro”, acusa o jornal de Chicago. A lista inclui até Hamlet, passando por Mike Tyson, e Richard Nixon.

Princípios
A convocação feita pelo presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, para uma luta conjunta dos supermercados e fornecedores contra  a etiquetagem de produtos, dá margem a uma dúvida. Se colocar etiquetas nos produtos representa custo ínfimo para os varejistas, como já foi demonstrado por vários Procons, qual o motivo de tanta veemência: uma questão de princípios ou uma forma de dificultar a conferência de preços pelos consumidores na boca do caixa?

Desmonte
Com a experiência de longos anos de laços com o mercado financeiro, o deputado Delfim Netto (PPB-SP) fulmina o preço mínimo proposto pelo governo para o Banespa: “O ágio de 281% deixou o governo estraçalhado”, ataca Delfim.

Negócios
A visita do presidente Bill Clinton ao Vietnã não foi apenas o último ato de relações públicas de sua gestão. Apesar das divergências ideológicas, os Estados Unidos são o principal empregador privado do Vietnã, com 50 mil funcionários numa fábrica de material esportivo.

Corte
Ninguém espere ajuda do Santander para reduzir as taxas de desemprego. Segundo jornal espanhol, citando fontes do banco, o corte da folha salarial do Banespa será a maior dificuldade da gestão de sua nova filial na América Latina. O banco recém-privatizado conta com 20.620 empregados, o que representa 36 funcionários por agência, frente a um índice de 14 pessoas por sucursal que o BSCH consegue manter na América Latina. Só no ano passado, a instituição financeira (formalmente) espanhola suprimiu 12.171 postos de trabalho. Apesar desses números, fontes do Santander prometem ampliar o número de agências no Rio, aproveitando todos os funcionários.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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