Gosto de levar vantagem em tudo, certo?

As delações premiadas têm um papel central na Operação Lava Jato e filiais. Mas de há muito que, noves fora a pressão (via cadeia) para que os delatores abram o bico – algo que já foi comparado a uma forma de tortura – há muitas críticas à vida fácil que ganham os delatores. Prisões domiciliares em imóveis de luxo, sem controle de eventuais escapadas; continuidade de uma vida sem problemas de dinheiro; e até comissão de 2% sobre cada centavo recuperado, caso do doleiro Alberto Youssef.

As críticas cresceram com a delação de Joesley Batista e família, com potencial para derrubar o presidente e contaminar os dois antecessores. As acusações do empresário atingem funcionários e dirigentes do BNDES, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dirigentes do Banco Central, além de políticos – presos ou não. Mas, se não poupa ninguém, a família Batista é econômica na autocrítica. Em nota, a JBS se limita a pedir desculpas e jogar no mercado futuro, afirmando que será “intolerante com a corrupção”.

Diz ainda a nota da JBS: “Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.” Será que haveria motivo de orgulho? E justifica, assumindo o papel de vítima: “Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos.” Propina, suborno, seriam palavras mais adequadas. E pensar que milhares de empresários sofrem para manter as contas em dia, mas se recusam a “fazer pagamentos indevidos”.

O fato é que tal modus operandi transformou a família em uma das mais ricas do Brasil – agora, de mudança, autorizada, para os Estados Unidos. Deixá-los livres é mais que prêmio, é garantia de impunidade que contamina a sociedade brasileira. Afinal, fica a impressão de que transgredir a lei pode, desde que se guarde provas para uma delação. Mas há uma instituição que entrou em campo timidamente, mas pode mudar o quadro: a Receita Federal. Afinal, os milhões que esta e outras empresas jogaram no caixa 2 significaram abatimento de impostos. Que devem ser cobrados (sem Refis nestes casos, por favor). Tal qual Al Capone, o Leão pode ser a esperança para fim da impunidade.

 

E o vencedor é…

Amigo da coluna corrobora a crítica acima e só vê um vencedor no escândalo que detonou o Governo Temer (e terminou de apagar o Aécio, de quebra): a família dos irmãos Batista, donos da JBS. “Com o risco de levar o Brasil à ruína, parece que estão ganhando centenas de milhões de dólares e vão sair com a barra limpa, com uma imensa fortuna nas mãos nos Estados Unidos, e sem ônus com a Justiça brasileira”.

Conclui: “Não duvide, ainda podem colocar um ex-empregado (Meirelles) na Presidência da República…”

 

Fora, Temer

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e outras entidades da área defendem que a cidadania tem uma tarefa clara: “A de agora é ‘Fora, Temer’ e eleições diretas e gerais!”

 

Fica, Temer

Já há gente de esquerda, desconfiada dos interesses da mídia, Globo à frente, defendendo a permanência do pato manco. Assim, as “reformas” que transitam no Congresso seriam paralisadas.

 

Patos recolhidos

Os movimentos que apoiaram o golpe contra Dilma Rousseff ensaiaram uma saída às ruas contra Michel Temer, mas decidiram recuar.

 

Rápidas

O Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro, será palco de mais de 50 ações promovidas por entidades vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações durante a nona edição do Turismo Cultural no Bairro Imperial de São Cristóvão, neste final de semana *** Como se adaptar e sobreviver às tendências que estão guiando o futuro, cada vez mais veloz? Essa e outras questões serão debatidas nesta segunda-feira, na 12ª edição do Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). O evento acontece das 8h30 às 18h, no Hotel Renaissance, na capital paulista *** A diretora da Regional Rio de Janeiro e Espírito Santo da SulAmérica, Solange Zaquem, é uma das novas integrantes da diretoria da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham-Rio) *** A Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis) realizará o 1° Congresso Latino-Americano de Sorvetes – Helados (Clash 2017). O evento será parte da programação da Fispal Sorvetes, 7 e 8 de junho, a partir das 8h, no Centro de Convenções do Expo Center Norte, em São Paulo (SP) *** A Marinha abriu concurso de nível superior para 12 vagas nas áreas de Contabilidade, Administração e Economia. Até o dia 29 de maio, estão abertas inscrições também para o Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha, com 29 vagas. Detalhes de ambos em ingressonamarinha.mar.mil.br *** O Ibef-Rio completou 46 anos nesta sexta-feira.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Capitalismo na origem da pandemia

Agronegócio e destruição do habitat estão nas raízes de 70% das novas doenças infecciosas.

Bitcoin leva 2 pancadas de uma vez

Pagamento de resgate a hackers e declaração de Musk mostram ‘lado negro da força’.

Taxação sobre heranças reflete desigualdade

Apenas 0,5% da receita vem de impostos sobre bens deixados ou doados.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Prisão de Pazuello na CPI é improvável, afirma jurista

Liminar concedida por Lewandowski será submetida à apreciação da Corte.

Turismo caiu 17,6% em março

No primeiro mês pandêmico no Brasil, março de 2020, setor viu receitas caírem 22,3%; ante mesmo mês de 2019, retração é de mais de um terço.

Custo de produção de suínos passa dos R$ 7 por quilo vivo

Em abril, os custos para produzir suínos aumentaram 2,33% ante março, fazendo indicador do setor medir a variação nos custos de produção.

Europa opera em comportamento negativo nesta manhã

A Bolsa de Frankfurt cedia 0,80% e Londres operava em queda de 0,66%.

EUA: serviços públicos puxam recuperação da indústria

Nível de produção segue abaixo do período anterior à pandemia.