Governadores de direita e o Banco Master

Ibaneis Rocha, Cláudio Castro, Tarcísio… governadores da direita bolsonarista devem explicações diante da crise do Banco Master.

11392
Governadores da direita bolsonarista Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas
Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas (fotos ABr, montagem Monitor Mercantil)

A direita, que sempre fala grosso quando os envolvidos são da base da pirâmide, mantém um silêncio estridente sobre o mais recente caso no andar de cima (da Faria Lima), com a intervenção no Banco Master e a prisão do seu dono, Daniel Vorcaro. E não é difícil achar rastros que ligam o escândalo a governadores bolsonaristas e outros políticos da direita.

A começar pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que assistiu de camarote os suspeitos negócios entre o Master e o BRB – controlado pelo DF. Rocha nomeou Paulo Henrique Costa para presidir o banco estatal – o executivo só foi afastado nesta terça-feira por decisão judicial. Segundo a Polícia Federal, o escândalo pode chegar a R$ 12 bilhões.

Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, também precisa sair das sombras. O Rioprevidência, fundo dos aposentados e pensionistas estaduais, comprou milhões em títulos do Banco Master e agora vive a expectativa de ver os papéis “micarem”. O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) denunciou o negócio; o Tribunal de Contas do Estado (TCE) proibiu o Rioprevidência de novas compras de títulos do Master, determinação que não teria sido cumprida. O rombo pode ficar entre R$ 980 milhões e R$ 2,6 bilhões. O governador bolsonarista é responsável por nomear o presidente e os diretores do Rioprevidência.

Tarcísio Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, igualmente da direita bolsonarista, deve explicar o açodamento em enviar seu secretário de Segurança e dublê de deputado federal, Capitão Guilherme Derrite (Progressistas), para relatar o projeto de lei antifacção. Derrite tentou emparedar a Polícia e a Receita Federal justamente quando os 2 órgãos fecham o cerco a grupos na Faria Lima. O secretário de Tarcísio teve de recuar diante dos protestos contra o que poderia ser a “PEC da Badidagem 2.0”.

Espaço Publicitáriocnseg

Aliás, nesse caso, também deve explicações o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que nomeou Derrite relator e tenta votar às pressas o projeto.

Previdência do servidor na crise do Master

Em artigo, Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), ressalta que a liquidação extrajudicial do conglomerado de Vorcaro tem efeitos que ultrapassam o setor bancário. “Há uma exposição relevante de fundos de previdência a títulos emitidos pelo Banco Master, o que amplia o impacto da liquidação e evidencia o papel do efeito multiplicador na economia”, lembra.

“Diversos fundos de previdência de servidores estaduais e municipais investiram volumosamente em letras financeiras emitidas pelo Master, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Juntos, esses fundos aplicaram aproximadamente R$ 1,7 bilhão nesses títulos” – número que pode ser tido como piso, não como teto.

Garbe cita o fundo dos servidores do Estado do Rio de Janeiro e de municípios como Cajamar, São Roque, Aparecida de Goiânia, Araras e Santo Antônio de Posse. Maceió também pode engrossar a lista.

Rápidas

Em evento online e presencial, a Apet receberá nesta quarta-feira, 9h, especialistas para explicar o que vai mudar no Imposto de Renda e na tributação dos dividendos. Inscrições aqui *** Pelo 4º ano consecutivo, a startup de Macaé T&D Sustentável venceu a categoria Water and Sanitation do Ranking 100 Open Startups, da América Latina.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg