Governança nas startups pode atrair mais investimentos

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A adoção de boas práticas de governança corporativa proporciona melhor gerenciamento de riscos, maior transparência de informações financeiras, sistema de compliance mais robusto e maior alinhamento das diretrizes e políticas entre os stakeholders”, afirma o sócio fundador da BR Rating, Marcos Rodrigues.

A governança corporativa é uma obrigação nas grandes corporações. Mas no universo das startups, empresas novas e pequenas, mas com alta probabilidade de se tornarem gigantes, esse conceito ainda não é tão propagado. É muito comum o empreendedor gerir seu negócio visando apenas os resultados financeiros necessários para a empresa crescer, lucrar e dar o retorno almejado pelos investidores.
Os especialistas da BR Rating – primeira agência de classificação de risco e avaliação dos sistemas de governança corporativa do Brasil – afirmam que o surgimento de mais e mais startups em um cenário econômico de dificuldades, faz com que os investidores avaliem com muito mais cautela onde aportar seus recursos.

Ter retorno é importante, mas colocar dinheiro em uma empresa cuja gestão é falha representa um risco alto, que ninguém quer correr. Por essa razão, para essas empresas, a implantação de um modelo administrativo baseado nos conceitos da governança corporativa pode ser o diferencial no momento em que é preciso captar recursos.

A governança corporativa é uma matriz institucional que estrutura as relações entre sócios, conselhos, órgãos de controle, diretoria e partes interessadas, e que determina e monitora os objetivos perseguidos pela organização. A adoção dessa prática é fundamental”, explica Marcos Rodrigues.

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O também sócio fundador da BR Rating, Olavo Rodrigues, diz que esses aspectos contribuem para o aumento da confiança dos investidores e redução de risco, o que beneficia o valor da organização e sua melhor classificação de crédito.

Consultorias

A maioria dos criadores de startups não têm ideia de como implantar um modelo de governança corporativa. É mais comum, nesse segmento, que os empreendedores se preocupem com seu público-alvo, com a inovação, mas não com outros pontos importantes como os cuidados necessários para mitigar riscos do empreendimento, evitar problemas societários e assegurar competências necessárias para entregar o produto idealizado, dentre outros.

É nesse contexto que existem empresas como a Play Studio, consultoria de inovação e venture builder, que além de trabalhar para viabilizar captações de recursos, atua como gestora de startups. Seu trabalho, baseado nos conceitos da governança corporativa, contribuem para que os investidores tenham a confiança necessária nas startups, pois há um gestor profissional por trás. A Play procura dar robustez às startups que ela apoia, através de consultoria que alavanca os processos, gestão e a governança dos negócios.

A Play entra para organizar a startup, definindo sua estratégia de crescimento. Isso atrai o interesse do investidor anjo, pois ele conta com parâmetros sólidos de avaliação que só é possível obter quando a empresa tem a governança implantada”, explica o sócio-diretor da Play Studio, Romulo Perini.

A Hurst Capital, maior plataforma de investimentos alternativos da América Latina, é um exemplo de empresa que se beneficiou do modelo de governança. Por ser gerida dentro dos parâmetros exigidos pelo mercado, a Hurst não só cresceu como também adquiriu duas startups. Uma delas é a Watermelon, proprietária do App Renda Fixa, e a outra a Dividendos.ME, aplicativo para controle de investimentos em renda variável. Ambos serviços complementares aos produtos oferecidos pela Hurst.

O ambiente baseado na governança foi essencial para captarmos os recursos necessários ao nosso crescimento. E a partir daí, quando iniciamos o processo de aquisições, optamos por escolher empresas que complementassem nosso negócio, mas que também atendessem ao mesmo conceito de gestão, como ocorre com essas duas”, afirmou o CEO da Hurst, Arthur Farache.

O CEO e sócio fundador da Hyupp, Ahmed Kadura, reforça que a governança é importante para captação de investimentos porque os investidores fazem um pente fino e um raio X do quadro societário da empresa e do CEO e esperam que os responsáveis pela empresa consigam entregar o mínimo desenhado. “Para captar recursos é imprescindível ter uma boa governança, ter um plano de negócios bem desenhado e um projeto bem apresentado. Dessa forma você consegue mostrar que não é um aventureiro e que tem domínio sobre o plano traçado”.

Startup líder em inovação, praticidade e mobilidade ao usuário, com o serviço de compartilhamento de baterias portáteis (Powers Banks), a Hyupp está em preparação para buscar uma nova rodada de investimentos. “Estamos confiantes nesse processo. A governança implantada em nossa empresa mostra que somos capazes de entregar o que é prometido. E o investidor gosta de ter essa certeza”, conclui Kadura.

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