O Ministério do Planejamento e Orçamento divulgou, nesta segunda-feira, que o bloqueio de R$ 1,6 bilhão do Orçamento de 2026, anunciado na semana passada, incidirá quase totalmente sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo federal publicou nesta noite segunda-feira o novo decreto de programação orçamentária e financeira do primeiro bimestre, que detalha a distribuição por órgãos do congelamento de recursos orçamentários.
Do total bloqueado, a maior parte, R$ 1,26 bilhão, atinge despesas discricionárias (não-obrigatórias) do Poder Executivo classificadas como RP3, que correspondem aos gastos do PAC. Os R$ 334 milhões restantes recaem sobre emendas parlamentares. A Lei de Diretrizes Orçamentárias regulamenta como se dará o bloqueio das emendas parlamentares, incluindo emendas impositivas.
Além do bloqueio, o decreto mantém o chamado faseamento de empenho, mecanismo que limita o empenho (autorização) de despesas ao longo do ano. Na prática, isso impõe uma restrição de até R$ 42,9 bilhões nos gastos discricionários até novembro. O objetivo é alinhar o ritmo de execução das despesas à arrecadação prevista, evitando desequilíbrios nas contas públicas e permitindo ajustes ao longo do exercício, caso novas necessidades de contenção surjam.
O decreto estabelece que os limites de empenho serão liberados em etapas ao longo do ano — com prazos previstos para maio, novembro e dezembro. A estratégia acompanha os ciclos de reavaliação fiscal e permite maior controle sobre a execução do Orçamento.
Os cortes atingem diferentes áreas do governo, com maior impacto em pastas como o Ministério dos Transportes, que concentra R$ 476,7 milhões do bloqueio, seguido por órgãos ligados à infraestrutura e desenvolvimento regional.
Outros ministérios também registraram reduções, embora em menor escala, como o Ministério da Fazenda e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Já áreas como saúde e educação tiveram impacto praticamente nulo no bloqueio deste bimestre.
Os bloqueios foram distribuídos da seguinte forma: Ministério dos Transportes: R$ 476,7 milhões; Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte: R$ 131 milhões; Ministério da Agricultura e Pecuária: R$ 124,1 milhões; Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional: R$ 101 milhões; Ministério da Fazenda: R$ 100 milhões; Ministério das Cidades: R$ 84 milhões; Agência Nacional de Transportes Terrestres: R$ 81,2 milhões; Ministério do Esporte: R$ 67,7 milhões; Ministério de Portos e Aeroportos: R$ 30,3 milhões; Ministério da Cultura: R$ 23,9 milhões; Ministério das Comunicações: R$ 19,3 milhões; Ministério da Pesca e Aquicultura: R$ 8,8 milhões; Ministério do Turismo: R$ 7,3 milhões; Agência Nacional de Saúde Suplementar: R$ 3,4 milhões; Ministério da Saúde: R$ 1,7 milhão; Total: R$ 1,26 bilhão.
Monitoramento de contas
Segundo o governo, a execução orçamentária seguirá sob monitoramento contínuo, com possibilidade de novos ajustes para garantir o cumprimento da meta fiscal de 2026. Os órgãos federais têm até 7 de abril para indicar quais programações serão efetivamente bloqueadas. No caso das emendas parlamentares, a distribuição dos cortes seguirá regras específicas previstas na legislação vigente.
Com Agência Brasil
Leia também:
-
A Versão da Lei: cinema brasileiro ganha vitrine internacional em Cannes
Com estética realista e abordagem sensível, A Versão da Lei posiciona-se como uma obra de forte apelo social e potencial de circulação internacional, apresentando-se como uma oportunidade estratégica para agentes de vendas, distribuidores e programadores. A trama acompanha Sol (Tati Villela), uma advogada negra e lésbica que atua na defesa de mulheres em situação de […]
-
Trends 2026: futuro e tendências do mercado de seguros
A programação será realizada no dia 2 de junho das 13h às 18h no icônico Museu do Amanhã, no Centro do Rio. “O objetivo será debater as tendências do mercado, visando o futuro, através das análises de cerca de 25 especialistas nos segmentos de Vida, Saúde, AUTO, Seguro Corporativo, Consórcio e Tecnologia”, informa o CEO […]
-
Regras de preferência a fornecedores brasileiros
Durante 60 dias, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) realizará consulta prévia de 60 dias sobre o Relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) que visa regulamentar a igualdade de oportunidade e o direito de preferência a fornecedores brasileiros na aquisição de bens e serviços nos contratos de exploração e produção […]
-
Fusões e aquisições mostram queda de 37% em abril
O cenário de fusões e aquisições foi objeto de análise no relatório mensal do TTR Data (ttrdata.com), que revelou 374 transações movimentando um total de R$ 123,2bi em abril de 2026. Os números representam uma queda de 37% no número em relação ao mesmo período de 2025, no entanto o houve um aumento no capital […]
-
Criptomoedas: brasileiros ampliam presença mas medo limita investimentos
O número de brasileiros que investem ou já investiram em criptomoedas cresce de forma consistente. Estimativas apontam que cerca de 59 milhões de pessoas no país já tiveram contato com esses ativos, o equivalente a aproximadamente 37% da população adulta. Entre os investidores, 42% afirmam já ter comprado criptomoedas ao menos uma vez, segundo levantamentos […]
-
Empresas perdem dinheiro por não entender garantias em contratos públicos
O mercado de compras públicas segue como uma das principais frentes de expansão para empresas brasileiras, mas a sofisticação dos contratos e o rigor das exigências têm elevado o custo. Entre os pontos mais sensíveis está a estrutura de garantias contratuais, frequentemente tratada como etapa operacional, quando, na prática, envolve decisões financeiras e jurídicas com […]























