Governo espera alcançar US$ 125 bi com fundo para preservação de florestas tropicais

Lula: “as florestas valem mais em pé do que derrubadas. Elas deveriam integrar o PIB dos nossos países".

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Lula lança Fundo Florestas Tropicais (Foto Bruno Peres - Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), durante a Cúpula do Clima, em Belém (PA), na tarde desta quinta-feira. Durante o almoço oferecido pelo governo brasileiro, o presidente convidou outras nações a apoiarem a iniciativa.

“As florestas valem mais em pé do que derrubadas. Elas deveriam integrar o PIB dos nossos países. Os serviços ecossistêmicos precisam ser remunerados assim como as pessoas que protegem as florestas. Os fundos verdes internacionais não estão à altura do desafio “, disse o presidente.

De acordo com Lula, o TFFF é uma ferramenta de financiamento inovadora para auxiliar países a conservarem as florestas tropicais, presentes em mais de 70 nações, entre elas, o Brasil. “O TFFF não é baseado em doação, seu papel será complementar os mecanismos que pagam pela redução das emissões de gases do efeito estufa. [Serão] Investimentos soberanos de países desenvolvidos e em desenvolvimento que irão alavancar um fundo de capital misto. O portfólio vai se diversificar em ações e títulos”, destacou Lula.

Os primeiros aportes serão feitos por governos nacionais, com recursos que devem ativar o fundo para alavancar capital da iniciativa privada. A proposta, desenhada pelo governo brasileiro, pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões dos países e chegar a US$ 125 bilhões com o capital privado.

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Os recursos gerados a partir dos investimentos em projetos de altas taxas de retorno financiarão a manutenção dos ambientes de floresta preservados por hectare. “Os lucros serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores. Esses recursos irão diretamente para os governos nacionais que poderão garantir programas soberanos de longo prazo”, reforçou o presidente.

Povos indígenas

O fundo também deverá garantir que um quinto dos recursos seja destinado aos povos indígenas e comunidades locais.

O acompanhamento da manutenção das florestas em pé será feito por meio de monitoramento por satélites capazes de identificar o cumprimento da meta de manutenção de desmatamento abaixo de 0,5%, nos países elegíveis.

Segundo o presidente, será possível pagar aos países US$ 4 por hectare preservado. “Parece modesto, mas estamos falando de 1,1 bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento”, disse Lula.

O anúncio ocorre após o aporte de US$ 1 bilhão realizado pelo governo brasileiro, no dia 23 setembro, no primeiro diálogo de apresentação da ferramenta promovido pelo Brasil e pelo secretariado das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), em Brasília.

No lançamento do TFFF, o presidente lembrou ainda que o Conselho do Banco Mundial vai hospedar o mecanismo financeiro e o secretariado do TFFF com um modelo de governança considerado inovador.

Lula lembrou que vários países com floresta tropicais e financiadores já anunciaram o apoio ao mecanismo. “É simbólico que a celebração do seu nascimento seja feita aqui em Belém, rodeada de sumaúmas, açaizeiros, andirobas e jacarandás. Em poucos anos poderemos ver o fruto desse fundo. Teremos orgulho de lembrar que foi no coração da Floresta Amazônica que demos esse passo juntos.”

Oceanos

A Enviada Especial da presidência da COP30 para Oceanos, Marinez Scherer, cobrou nesta quinta-feira que haja maior comprometimento de países e organizações privadas no financiamento direcionado aos oceanos.

“A economia dos oceanos chega a quase US$ 4 trilhões anualmente. Se nos mantivermos no nosso caminho atual, as regiões litorâneas arriscam perder até 20% do PIB até o final do século. Isso não é um problema de amanhã, é um perigo de hoje”, cobrou a especialista.

De acordo com Scherer, menos de 1% do financiamento climático apoia soluções oceânicas e “isso precisa mudar urgentemente”.

Oceano
Oceano (Foto Fernando Frazão – ABr)

Marinez Scherer foi uma das primeiras a falar durante a abertura da Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre em Belém. Ela convocou líderes globais a investir mais nos oceanos e a sociedade global a valorizar a importância deles para conter o aquecimento global.

Segundo Scherer, Belém possibilita o encontro de “dois gigantes”, a Floresta Amazônica e o Oceano Atlântico, dois sistemas que em conjunto formam o clima do planeta. “O oceano cobre 70% do nosso planeta e é o coração pujante desse sistema climático. Ele produz mais da metade do nosso oxigênio e absorve 90% do calor excedente das nossas emissões”, lembrou.

Ainda segundo Scherrer, o oceano alimenta, protege, ajuda a economia, sustenta culturas e identidades. “Ignorar esse serviço significa comprometer o nosso futuro. E, seja no litoral, em uma fazenda, em um centro urbano, somos todos conectados ao oceano. Tudo depende dele”, alertou Scherer.

Com Agência Brasil

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