Governo lança Plano Marshall verde amarelo

Objetivo é integrar ações para retomada do crescimento após a pandemia.

O ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, anunciou nesta quarta-feira um novo programa de investimento do governo federal, batizado de Pró-Brasil. O objetivo, segundo ele, é gerar emprego e recuperar a infraestrutura do país em resposta aos impactos trazidos pela pandemia do novo coronavírus. Embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha participado da reunião nesta manhã, as discussões estão sendo lideradas por Braga Netto. A equipe econômica, segundo a agência Brasil, é refratária à mensagem de uso de recursos públicos para alavancar a economia e tem defendido que isso deve ocorrer através da atração de investimentos privados a partir da realização de reformas.

Mas o secretário especial de Desestatização, Desenvolvimento e Mercados, Salim Mattar, avaliou que o Plano Marshall brasileiro – denominado de Pró-Brasil, segundo a Casa Civil – ainda é muito embrionário e afirmou que a intenção do Ministério da Economia é diferente, voltada à busca de investimentos privados. Questionado se o fato de existirem planos distintos sob um mesmo governo não denotava falta de consenso, emitindo sinal trocado para investidores, Salim afirmou que isso faz parte da democracia.

Após reconhecer a rota traçada pela equipe do ministro Paulo Guedes vai para outra direção, disse . que “o Plano Marshall gestado pela Casa Civil é um pouco diferente dos planos do Ministério da Economia”. “O Plano Marshall dependeu do dinheiro americano, e nós não temos dinheiro sobrando mais, as finanças nossas foram absolutamente esgotadas”, acrescentou. No Plano Marshall original, os Estados Unidos financiaram a reconstrução de países aliados na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Braga Netto, no entanto, disse que as propostas ainda estão sendo estruturadas pelo governo e não apresentou estimativas de volume total de investimentos nem o número de empregos a serem gerados. “Ainda seria leviano eu levantar isso [estimativas]. A finalidade é gerar empregos, recuperar infraestrutura e dar possibilidade do Brasil recuperar toda essa perda que nós tivemos”, disse durante coletiva de imprensa, no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, para atualizar as ações do governo federal no enfrentamento da covid-19.

O programa reúne ações de todos os ministérios e será coordenado pela Casa Civil. Segundo a pasta, foram definidos dois eixos de ação: Ordem e Progresso. No eixo Ordem serão contempladas medidas como o aprimoramento do arcabouço normativo, atração de investimentos privados, segurança jurídica, melhoria do ambiente de negócios e mitigação dos impactos socioeconômicos. No eixo Progresso, estão previstos investimentos com obras públicas, custeadas pelo governo federal, e de parcerias com o setor privado.

Na verdade, vamos dar continuidade a coisas que já estavam andando, por exemplo, o vigoroso programa de concessões”, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, durante a coletiva. Segundo ele, os projetos de concessões e privatizações coordenados pela pasta preveem investimentos de R$ 250 bilhões. Aquilo que será feito por meio de obra pública, a gente estima um valor de R$ 30 bilhões, acrescentou.

De acordo com a apresentação do ministro Braga Netto, a execução dos projetos será de longo prazo, devendo durar até 2030. A primeira reunião do grupo de trabalho do programa Pró-Brasil será nesta sexta-feira (24). O detalhamento dos projetos e ações será feito em setembro e a implantação está prevista para começar a partir de outubro.

 

Ana Borges
Colunista.

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