Governo paulista garante receitas da concessionária da Linha 4

Remuneração anual da ViaQuatro cresceu 56%, enquanto número de passageiros aumentou apenas 18%.

São Paulo / 21:18 - 31 de ago de 2020

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A linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo recebe privilégios do governo estadual que são negados ao Metrô estatal e público. A denúncia é da RBA, que obteve dados, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que revelam que, enquanto a tarifa paga pelo usuário do Metrô é de R$ 4,40, o governo paulista paga R$ 4,5359 por passageiro para a ViaQuatro. Ao final de cada ano, a diferença de pouco mais de 13 centavos resulta em milhões de reais em recursos públicos para o grupo empresarial privado.

O mesmo ocorre com o valor pago por passageiro integrado – que vem de outra linha antes de entrar na linha 4-Amarela – que é de R$ 2,2680, enquanto a tarifa de integração do Metrô é de R$ 2,20.

De acordo com a RBA, a concessionária da Linha4-Amarela obtém aumento contínuo de receita ano a ano, muito superior ao crescimento do número de passageiros transportados. “Entre 2014 e 2019, a remuneração anual da ViaQuatro subiu de R$ 350,1 milhões para R$ 545,6 milhões (55,8%). No mesmo período, o número de passageiros transportados naquela linha cresceu apenas 18%, de 194,3 milhões, para 229,5 milhões.”

A RBA afirma também que a ViaQuatro é privilegiada no repasse de valores pelo governo paulista. Toda a arrecadação de tarifas pelo Metrô é concentrada na chamada Câmara de Compensação para definir a partilha dos valores. A ViaQuatro é sempre a primeira a receber. Depois vem a ViaMobilidade – que pertence ao mesmo grupo empresarial. Só então vêm o Metrô e a CPTM que, via de regra, arcam com o prejuízo.

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