Governo perde espinha dorsal da reforma da Previdência

Retirados os bodes da sala, discussão pode agora caminhar no rumo certo: o impacto da dívida nas contas públicas.

O relatório sobre a reforma da Previdência não só tirou os principais bodes da sala – BPC e rural – como fulminou duas peças que faziam parte da espinha dorsal do projeto do governo: a capitalização e a retirada dos direitos previdenciários da Constituição. Só um sonhador acredita que os dois itens poderão ser ressuscitados na comissão especial que analisa a reforma. E, se o governo não consegue vencer a batalha no terreno mais favorável (votação por maioria simples), quem dirá no plenário, onde precisa dois terços dos votos.

Muitos pontos negativos foram mantidos no relatório. A questão das pensões e a desumanidade das aposentadorias por doença deverão ter mais relevância, agora que as distrações foram jogadas para escanteio. A fixação de idade mínima parece ter apoio, mas o limite provavelmente sofrerá alterações.

O Senado vem construindo uma boa visão sobre os impactos da reforma e o descontrole da dívida interna. Se este ponto de vista preponderar, a discussão começará a entrar nos eixos.

 

Disputa solar

Se as regras sobre geração distribuída (produção de energia solar) forem mantidas, os governos Federal e estaduais conseguirão arrecadar mais de R$ 25 bilhões até 2027, e serão gerados mais de 672 mil empregos apenas nos segmentos de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica até 2035, defende a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O estudo foi feito pela entidade para rebater argumentos das distribuidoras de energia, parcialmente endossados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de que o modelo atual embute subsídios a quem gera, normalmente consumidores de maior poder aquisitivo, pois os sistemas de geração são caros. Hoje, há menos de 85 mil instalações, de um universo de mais de 84 milhões de consumidores cativos atendidos pelas companhias de energia elétrica.

É claro (ops!) que as distribuidoras não têm interesse na manutenção do modelo atual, em que o consumidor injeta no sistema elétrico a energia produzida além do que consome durante o dia e faz uma compensação com a força consumida da empresa à noite.

Para as distribuidoras, além de ter que “comprar” energia no momento do dia em que o consumo é menor, ainda são obrigadas a fornecer à noite em uma espécie de permuta. Claro que é muito mais lucrativo vender essa energia, ainda mais com os custos embutidos na conta que são uma verdadeira caixa-preta (ops! De novo).

Segundo a Absolar, a geração distribuída solar fotovoltaica também contribuirá para o alívio da demanda diurna do sistema elétrico. Segundo dados oficiais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em janeiro de 2019, o Brasil bateu os recordes de demanda justamente no período diurno, por volta das 15h, horário no qual a fonte solar está perto do pico. Além disso, a entidade estima que o país evitará a emissão de 75,38 milhões de toneladas de CO2 até 2035.

 

Perdão

A falta de perdão pode prejudicar a saúde cardiovascular. Esta é a conclusão do trabalho de mestrado da psicanalista Suzana Avezum, que estudou 130 pessoas, entre dezembro de 2016 e dezembro de 2018. A pesquisa será apresentada no 40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Suzana diz que as mágoas e ressentimentos são geradoras de estresse, que consequentemente provocam respostas fisiológicas de defesa, com adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina). “A ruminação da mágoa e a revivescência do evento mantêm o estresse, e o corpo fica exposto a essas respostas fisiológicas, o que pode produzir patologias. Quando se trabalha o perdão, há o relaxamento das defesas do organismo, cura da mágoa e do corpo”, explica.

O Congresso (socesp2019.socesp.org.br/) será realizado de 20 a 22 de junho, no Expo Transamérica. São esperados 7 mil profissionais da saúde de todo o Brasil.

 

Bye, bye, Brasil

Paulo Guedes disse que, se o corte não chegar a pelo menos R$ 800 bilhões e sem a capitalização, vai pegar um avião e morar “lá fora”. Vai pagar a passagem em dinheiro ou no cartão?

 

Rápidas

A Fiesp e a Escola da Advocacia-Geral da União realizarão o Fórum sobre a MP 881/2019 – Liberdade Econômica, na próxima segunda-feira. Programação completa em bit.ly/2WChVhB *** O diretor médico da Med-Rio, Gilberto Ururahy, está em Paris organizando o fórum sobre longevidade que as academias de Medicina da França e do Brasil realizarão em novembro, no Rio.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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