Governo vai começar a privatizar também as florestas

Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do Governo Federal incluiu 3 florestas – Humaitá, Iquiri e Castanho – no Amazonas.

Conjuntura / 23:56 - 19 de fev de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do Governo Federal incluiu 22 novos projetos na lista de empreendimentos a serem concedidos à iniciativa privada nos próximos anos. Entre eles está a exploração de recursos de três florestas – Humaitá, Iquiri e Castanho – todas no Amazonas.

A lista foi aprovada nesta quarta-feira durante a 12ª Reunião do Conselho do PPI, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro. A carteira do PPI agora conta com 134 projetos e 12 políticas, que são as prioridades na agenda de concessões da Presidência da República.

“Elas [as florestas] foram incluídas para que a gente tenha a delegação à iniciativa privada do manejo sustentável dessas florestas, uma agenda que vai contribuir na conservação, para reduzir as queimadas e permitir o controle e investimento sustentável das florestas brasileiras”, disse a secretária do PPI, Martha Seillier, para justificar a iniciativa.

Martha Seillier destacou que o objetivo do governo não é arrecadatório, e sim de reduzir a exploração ilegal. 

O estudo Global Futures, que calculou o custo econômico do declínio da natureza em 140 países, da Índia ao Brasil, mostra que, se o mundo continuar fazendo negócios da forma como sempre fez (business as usual), os EUA sofrerão as maiores perdas do PIB anual em termos absolutos, com US$ 83 bilhões varridos de sua economia por ano até 2050 – uma quantia equivalente a todo o PIB anual da Guatemala. Isso se deve em grande parte aos danos esperados em suas infraestruturas costeiras e terras agrícolas, e devido ao aumento das inundações e erosão como resultado das perdas de defesas costeiras naturais, como recifes de coral e manguezais.

Danos ocasionados na zona costeira serão a principal causa dos prejuízos também à economia brasileira, que ocupa o sexto lugar no ranking, com perdas de US$ 14 bilhões (ou R$ 60 bilhões no câmbio atual) ao ano até 2050. A destruição da zona costeira irá gerar perdas anuais de US$ 12,382 bilhões (ou R$ 53.243 no câmbio atual), seguida por produção florestal (US$ 1,326 bi ou R$ 5.702 bilhões), polinização (US$ 1,013 bi ou R$ 4.356 bilhões), água doce (US$ 0,69 bi ou R$ 2,967 bilhões) e produção pesqueira (US$ 0,108 bi ou R$ 464 milhões). 

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor