Grande família

Diferentemente do que têm pregado colunistas tucanos, a situação do ministro Antonio Palocci não se diferencia de outros ocupantes de cargos estratégicos que viraram banqueiros ou consultores pelo fato de o primeiro se manter no governo e os demais a ele não terem retornado. O que os une a todos é a resposta a pergunta tão singela quanto crucial: o que leva uma empresa a contratar um ex-Banco Central, ex-Fazenda ou ex-BNDES como consultor? Ela se desborda em outra, obrigatória: que tipo de relação cada empresa manteve com aquele que contratou quando este estava no governo?

Bastidores
Uma curiosidade ainda não saciada no episódio que trouxe à tona o ministro Antonio Palocci com o sedutor mundo das consultorias: por que a denúncia surgiu agora e quem, digamos, cantou a pedra?

Hollywood
“A manipulação de escândalos sexuais para neutralizar adversários políticos constitui uma virtual especialidade estadunidense. Embora o tema já tenha sido várias vezes explorado por Hollywood, desde o clássico Cidadão Kane, de Orson Welles, os mais imaginosos roteiristas não conseguem competir com a vida real.” A opinião é do boletim eletrônico Resenha Estratégica, que lista uma série de detalhes, no mínimo, intrigantes, sobre a prisão de Dominique Strauss-Kahn. A começar pela questão do horário.
“Teria ocorrido um até agora inexplicado intervalo de três horas entre o momento da alegada agressão e a decisão da direção do hotel de dar conhecimento dela às autoridades policiais (posteriormente, sem explicar o motivo, a polícia corrigiu em uma hora para trás o momento em que a agressão teria ocorrido – mas apenas depois que o advogado de Strauss-Kahn afirmou que ele teria deixado o hotel antes da hora anteriormente mencionada pela agredida).”

Lista longa
Lembra ainda o Resenha Estratégica a longa lista de escândalos artificialmente criados, que inclui aspirantes presidenciais, como Ted Kennedy, Gary Hart e John Edwards, e até mesmo um ocupante da Casa Branca, caso de Bill Clinton, submetido a um humilhante processo de impeachment, em 1998.
Indivíduos que desagradaram à alta finança globalizada são o alvo mais recente, como o ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, um ex-procurador que se revelou um ferrenho adversário das práticas corruptas de Wall Street, forçado a renunciar ao governo estadual após a revelação pública de suas ligações com prostitutas.

Desagrado
Se DSK não significaria uma ruptura, nem no FMI, nem em eventual presidência da França, alguns atos e declarações, porém, deixam claro que não havia razões para o “mercado” cair de amores por ele. Uma delas: “Nós precisamos de um imposto sobre atividades financeiras, para forçar este setor a assumir alguns dos custos sociais do seu comportamento de risco”, dissera Strauss-Kahn em abril passado.

Imoralidade mor
Independentemente das questões levantadas pelo episódio, uma coisa é indubitável; independentemente da veracidade ou não das acusações sobre a vida sexual de DSK, ela não conseguirá ser mais imoral que a insistência do FMI em manter suas carcomidas políticas, provocando desemprego, confisco de salários e recessão em países europeus, para garantir sobra de caixa para manter o fluxo de pagamento para bancos da Europa e dos Estados Unidos. E isso não mudou com ou sem Strauss-Kahn.

Quem paga
A responsabilidade tributária define quem é responsável pelo pagamento do tributo. No Brasil, a não obediência do contribuinte a essa responsabilidade pode gerar sanções. Para auxiliar a compreensão do tema, a FISCOSoft Editora lança a primeira edição do livro Retenções na Fonte de Impostos e Contribuições – Guia Prático (570 páginas, R$ 115). À venda em www.fiscosoft.com.br/livraria

Nova gramática
Será que vêm aí novas leis proibindo piadas com gordos, pessoas que usam óculos, anões, feios?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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