Grande Rio teve nove caminhões de carga roubados por dia em 2023

Segundo estudo da Firjan, redução foi de 24% em relação a 2022; além disso, preço médio do frete por km rodado ficou mais caro ante dezembro

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Caminhões na rodovia (Foto: ABr/arquivo)
Caminhões na rodovia (Foto: ABr/arquivo)

A Nota Técnica “Panorama do roubo de carga no estado do Rio de Janeiro – 2024” produzida pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), destaca que no ano passado houve uma redução de 24% neste tipo de crime no estado, em relação a 2022. Ainda assim, o número de ocorrências é grande, 3.225 casos, média de 9 roubos de caminhões por dia, principalmente na Região Metropolitana do Rio.

O levantamento é feito com base nos dados obtidos no Instituto de Segurança Pública (ISP) e, considerando o valor médio das cargas roubadas, o prejuízo direto é na ordem de R$ 283 milhões. Há também os custos indiretos como a contratação de segurança privada e seguros, que, em muitos casos, superam a perda direta.

A integração entre as forças de segurança federais e estadual foi fundamental no enfrentamento de todo elo criminoso que sustenta o roubo de cargas. “A atuação das forças de segurança em regiões de concentração das ocorrências, assim como investimento em inteligência e ações direcionadas ao combate ao mercado ilegal, são medidas que visam a garantir segurança para a população e promover melhorias na logística do estado, estimulando o desenvolvimento econômico fluminense”, afirma o vice-presidente da Firjan, Carlos Erane de Aguiar.

Na análise, a federação cita também que em 2023 o roubo de carga no estado do Rio teve uma ocorrência altamente concentrada. No ano passado, cerca de 97% dos casos registrados foram na Região Metropolitana. Além disso, mais da metade dos casos ocorreu em oito das 137 Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP) fluminenses.

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As oito CISP são Duque de Caxias (356 ocorrências), Campos Elyseos (355), São João de Meriti (234), Bonsucesso (213), Belford Roxo (165), Brás de Pina (133), Bangu (123) e Penha (110). Essas regiões são cortadas pelas principais rodovias do Rio de Janeiro: BR-040, Washington Luís; BR-101, Avenida Brasil; BR-116, Presidente Dutra; e BR-493, Arco Metropolitano. Mesmo com a redução no estado, as CISP situadas no entorno do Arco Metropolitano apresentam um aumento de 4% nos roubos de carga em 2023.

Desde fevereiro de 2023, a Firjan Caxias e Região atua com o Grupo de Trabalho voltado para debater iniciativas que contribuam para coibir o roubo de cargas no estado do Rio. A iniciativa, que segue ativa em 2024, visa aproximar entidades relacionadas para que pensem em alternativas para fortalecer o enfrentamento a esse tipo de delito.

“A partir do trabalho integrado entre empresas, órgãos de segurança do estado e secretarias municipais de segurança tem sido possível identificar as maiores demandas e fragilidades das regiões afetadas, especialmente em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde os índices ainda são relevantes de forma geral. Vamos seguir com essa atuação constante para que possamos contribuir com as ações de enfrentamento a esse tipo de crime e melhorar as condições de manutenção e atração de novas empresas para a região”, destacou o presidente da Firjan Caxias e Região, Roberto Leverone.

Ao longo do ano passado, o Grupo de Trabalho contou com a participação de representantes das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal, além de empresários associados à federação e entidades como a ANTT, Detran-RJ, Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), Consórcio Intermunicipal de Segurança Pública da Baixada Fluminense (CISPBAF), Ministério Público do estado do Rio e Secretaria de Segurança de Duque de Caxias.

A região do entorno do Porto do Rio de Janeiro registrou uma redução relevante, com uma diminuição de mais de 31% dos casos no ano passado em relação a 2022. A federação ressalta que o Porto do Rio é um importante polo logístico para o transporte de carga, sendo responsável pela movimentação de mais de R$ 94 bilhões em cargas em 2023.

Também foram destaques positivos as CISP de Campo Grande, Pavuna e Realengo com reduções, respectivamente, de 36%, 20% e 10%. Já no Leste Fluminense, quatro CIPS de São Gonçalo – e área de influência da BR-101 – também apresentaram quedas nos índices. As quatro regiões registraram 103 ocorrências, uma redução de 38% em relação ao ano anterior.

Já análise do Índice de Frete Edenred Repom (IFR) apontou que o preço médio do frete por km rodado fechou janeiro a R$ 6,36, com um aumento de 2% quando comparado a dezembro de 2023, período em que a média estava em R$ 6,22. Já no comparativo com janeiro do ano anterior, o preço caiu 10%.

No dia 19 de janeiro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os pisos mínimos de frete e editou a nova Resolução. Os preços médios tiveram aumentos de 1,03% a 5,66%, dependendo do tipo de operação de transporte. Segundo informado pela agência em janeiro, o reajuste passou a ser feito com base em uma nova metodologia, a fim de deixar os valores sugeridos mais próximos da realidade do transportador brasileiro.

“A projeção para fevereiro pode ser de uma nova alta no frete, puxada especialmente pelo acréscimo no preço do litro do diesel ofertado nas bombas de abastecimento, após o início da vigência das novas alíquotas do ICMS”, destaca Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Repom.

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