Grandes empresários preferem fechar o capital de suas empresas

Listagem no mercado já não é a melhor maneira de captar recursos.

Acredite se Puder / 18:11 - 21 de set de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Com planos para fechar o capital das suas companhias, empresários querem evitar mercados voláteis e investidores cada vez mais ativos. Os principais acionistas de algumas empresas já anunciaram US$ 26 bilhões em transações para a deslistagem, o que significa um aumento de cerca de 2.500% em relação a 2019, segundo dados compilados pela Bloomberg. Muitas das operações envolvem fundadores ultrarricos que foram ajudados por financiamento barato e pelo fraco desempenho das ações das suas empresas num momento em que o mercado mais amplo está crescendo.

Isabelle Toledano-Koutsouris, responsável por mercados de capital privado para a Europa, Oriente Médio e África do UBS, revela que, embora tenhamos visto mais companhias que decidiram permanecer privadas por mais tempo nos últimos dois anos, foi observada tendência em que empresas cotadas procuraram fechar o capital. E brinca: “O setor de private equity que se cuide: há alguns novos compradores no mercado e eles conhecem os seus alvos melhor do que ninguém.”

Proprietários bilionários como o japonês Masayoshi Son e o magnata da media francês Patrick Drahi tentam recomprar suas ações. Son, presidente do conselho do SoftBank, voltou a estudar a ideia de fechar o capital do conglomerado japonês, sempre comparando a lacuna entre o valor de mercado de US$ 126 bilhões e o de sua vasta carteira de investimentos, o que deixa uma grande frustação. Drahi ofereceu 2,5 bilhões para comprar as ações que ainda não possui na operadora de telecomunicações Altice Europe.

Há duas semanas, a startup alemã Rocket Internet anunciou os planos de retirar as suas ações das bolsas de Frankfurt e Luxemburgo. A empresa, que tem os irmãos bilionários Samwer como acionistas, disse que a listagem no mercado já não é a melhor maneira de captar recursos e que pode contar com financiamento privado para a expansão futura. Indivíduos ricos buscam essas operações num momento em que a atividade geral de acordos permanece estagnada: o valor das fusões e aquisições caiu 33% desde janeiro, fonte Bloomberg. Firmas de private equity, compradoras tradicionais de ativos indesejados, ficaram em grande parte à margem: os investimentos caíram 15% neste ano, apesar dos volumes recordes de reservas.

 

Chineses alteram regras, mas procura da Ant sobe

A Ant foi atingida por uma série de novas regulamentações com o objetivo de reduzir riscos no setor financeiro online da China. Os reguladores restringiram as fontes de financiamento de pequenos empréstimos, limitaram os juros e impuseram novos requisitos de capital e licença à Ant e a outros conglomerados. Enganaram-se os que acreditaram que poderia haver uma desmotivação dos investidores no IPO da Ant Group, de Jack Ma, que pretende levantar pelo menos US$ 35 bilhões – 29,7 bilhões – na sua oferta pública inicial (IPO) depois de avaliar o interesse junto de investidores, afirmam fontes com conhecimento do assunto. O valor coloca a fintech chinesa no caminho para uma oferta de estreia recorde.

A Ant elevou a meta do IPO com base numa acima das estimativas anteriores de US$ 225 bilhões. Anteriormente, a empresa esperava levantar pelo menos US$ 30 bilhões. A listagem simultânea da Ant em Hong Kong e Xangai pode resultar no maior IPO de todos os tempos, superando a oferta recorde da Saudi Aramco, de US$ 29 bilhões. O valor de mercado da Ant poderia superar o do Bank of America, e com mais do dobro do tamanho do Citigroup. Entre os bancos americanos, apenas o JPMorgan Chase é maior, com um valor de mercado de US$ 300 bilhões.

A Ant recebeu sinal verde de reguladores em Xangai na sexta-feira para prosseguir com a venda pública de ações. A empresa com sede em Hangzhou tem uma audiência marcada com a Bolsa de Valores de Hong Kong na quinta-feira para superar o próximo obstáculo, . A Ant não quis comentar num comunicado enviado por e-mail.

A Ant, que cresceu a partir da aplicação de pagamentos Alipay, agora obtém a maior parte da receita com empréstimos rápidos a consumidores, impulsionando os crescentes gastos desse segmento na China. A Ant também gere uma empresa de seguros e fundos do mercado monetário, além de fornecer pontuação de crédito e serviços tecnológicos ao setor financeiro.

O Alipay tem 711 milhões de utilizadores ativos, principalmente na China, que usam a plataforma para comprar de tudo, desde um café rápido até propriedades, tendo gerado US$ 17 triliões em pagamentos nos 12 meses até junho.

 

Cyrela toma mais grana do mercado

A ação da Cury estreou na B3 na sessão desta segunda-feira em baixa de 4,81% a R$ 8,90. A incorporadora fixou na última quinta-feira o preço de sua ação a R$ 9,35 em sua oferta pública inicial (IPO), levantando R$ 977,5 milhões. O preço ficou abaixo da faixa indicativa, que ia de R$ 11,00 a R$ 14,30. Dos recursos captados, só R$ 170 milhões vão para a empresa, pois o restante foi para a comissão dos bancos Itaú, Bank of America e Caixa e para os executivos Fabio Cury, Paulo Curi e Leonardo Cruz foram os vendedores na tranche secundária.

O governo acha que o brasileiro é tolo e quer porque quer recriar a CPMF. Quantos milhões deixou de arrecadar por não ter criado um importo sobre essas vendas absurdas de ações?

 

Bancos colaboraram para lavar dinheiro

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos mostrou documentos do Governo dos Estados Unidos revelando que bancos desafiaram leis contra a lavagem de dinheiro, transferindo cerca de US$ 2 trilhões em operações suspeitas entre 1999 e 2017.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor