Greve de 1 mês na GM é exemplo mundial

No último dia 15, os quase 50 mil trabalhadores da GM nos Estados Unidos completaram 30 dias de greve. A estimativa é que a paralisação custe à empresa US$ 100 milhões por dia. Mas os empregados também arcam com perdas elevadas: sem receber salários, dependem das reservas distribuídas pelo sindicato, o United Auto Workers.

A greve – mais longa na empresa desde 1970 – segue forte por um motivo que deveria mobilizar o brasileiro: a precarização do trabalho. “A principal demanda dos trabalhadores da GM é o fim da fraude na contratação de trabalhadores temporários pela empresa”, relata Rodrigo de Lacerda Carelli, procurador do Trabalho no Rio de Janeiro e professor de Direito do Trabalho na UFRJ.

Em artigo, Carelli conta que a GM “se utiliza do artifício de contratar trabalhadores como temporários para realizar as mesmas tarefas de empregados permanentes. Além disso, esses trabalhadores ficam anos nessa empresa realizando as mesmas funções, sem qualquer esperança de serem efetivados. A razão disso: o instrumento de negociação coletiva até então vigente entre sindicato e empresa previa a possibilidade de contratação de trabalhadores temporários por menor salário e com menos benefícios. A empresa, aproveitando-se dessa brecha, classifica erroneamente seus trabalhadores como temporários para poder pagar menos”.

Essa precarização, que tem o seu exemplo mais marcante no Uber, é um dos fatores da redução da parcela do trabalho na renda mundial e das revoltas, marcantes na classe média, que vê seu padrão de vida se deteriorar. Nos EUA, a reação contra a uberização levou a Califórnia a determinar que os motoristas que dirigem para o aplicativo sejam contratados. A relação trabalhista – que, como já dito nesta coluna, nada tem de novo, ao contrário, é a exacerbação da mais-valia – é o cerne do modelo que visa a maximizar lucros. Também naquele estado norte-americano, foi editada recentemente uma lei para tentar evitar a classificação errônea de trabalhadores como trabalhadores autônomos (“independent contractors”).

Os trabalhadores da GM se cansaram do artifício. “E cansaram tanto que os trabalhadores permanentes estão em greve em solidariedade aos trabalhadores falsamente classificados como temporários. Os trabalhadores perceberam que, a continuar assim, serão eles mesmos dispensados e contratados trabalhadores falsamente temporários no lugar”, afirma o professor da UFRJ.

No Brasil, também sofremos de epidemia de fraudes à relação de emprego. Temos mais de 8 milhões de trabalhadores formalizados como microempreendedores individuais formais, grande parte em fraude pela substituição de empregos estáveis com direitos. A tendência é de crescimento desse número, pelo incentivo estatal. Os danos aos trabalhadores, à organização coletiva e à sociedade são gigantescos, e serão mais ainda quando esses trabalhadores ficarem mais velhos e forem buscar a assistência e a previdência social”, sintetiza Carelli.

 

Para empreendedores

O diretor-geral da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Wagner Victer, fará a palestra de abertura da Expo Meu Negócio no Centro de Convenções SulAmérica, nesta quarta-feira, às 11 horas. O tema será “Empreender na Crise – Gerenciando Tormentas”.

A Expo Meu Negócio é uma feira de empreendedorismo. O público terá acesso a franquias, empresas, fornecedores, logística, produtos, serviços, palestras e ao Youtuber Experience. Será quarta e quinta, de 10h às 20h.

 

Como puede?’

A direita está perdida com a revolta no Chile, modelo neoliberal. É como na piada: o cavalo estava quase aprendendo a viver sem comer, quando morreu, coitado…

 

Rápidas

Nesta terça, audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara para debater a privatização de metade do parque nacional de refino. Trata-se de um crime de lesa-pátria, define Paulo César Ribeiro Lima, consultor legislativo aposentado *** De terça a quinta-feira, o Centro Universitário IBMR realizará palestras e rodas de conversa, abertas ao público, sobre prevenção do câncer de mama, empoderamento e empreendedorismo feminino, no Campus Barra *** Nesta quarta, o Cpdoc da FGV exibirá pela primeira vez o filme Magia e Poder: fronteiras entre o sagrado e o profano, com imagens inéditas de religiões afro-brasileiras nas décadas de 1970 e 1980. Será na Praia de Botafogo, 190, auditório 1014, às 17h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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