Guedes, de casa, diz com reduzir danos da crise com R$ 700 bilhões

R$ 100 bilhões para proteger desprotegidos e R$ 200 bi para os bancos.

Mercado Financeiro / 21:49 - 27 de mar de 2020

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A determinação do presidente Jair Bolsonaro é que não faltem recursos para defender vidas, saúde e empregos dos brasileiros. Nós vamos cuidar de todos e começamos protegendo os mais vulneráveis”, postou em vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira o Ministro da Economia, Paulo Guedes. Na sua residência no Rio de Janeiro, no bairro do Leblon, fez uma espécie de balanço das medidas tomadas pelo governo até o momento para reduzir os efeitos da pandemia do coronavírus.

Desde o dia 20, Guedes despacha de casa, em trabalho remoto. Ele promove reuniões com o presidente Bolsonaro, com representantes do setor privado e com membros de sua equipe por meio de videoconferências. Na quinta-feira, o ministro informou que seu teste para o coronavírus deu negativo e que está em quarentena por precaução.

As últimas declarações do presidente Jair Bolsonaro denotam que a maior preocupação dele é com perda econômica. Todos os seus ministros tentam “aliviar e dourar” o discurso dele, mas em vão, pois o presidente mostra total incredulidade em relação ao que pode acontecer no Brasil com a pandemia do coronavírus caso o país não siga as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o protocolo de grande parte dos dirigentes mundiais.

As ações da área econômica para reduzir os danos provocados pela crise do coronavírus totalizam R$ 700 bilhões, entre antecipações de recursos, liberação de linhas de crédito e aumento de gastos públicos, disse o ministro. Ele declarou que apenas a medida de renda básica para os trabalhadores autônomos, aprovada na quinta-feira pela Câmara dos Deputados, resultará em gastos de R$ 45 bilhões nos próximos três meses.

Conforme citou a agência Brasil, nas contas do ministro, a liberação do Bolsa Família para 1,2 milhão de famílias e as antecipações do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), somadas à ajuda aos autônomos, garantirá praticamente R$ 100 bilhões em proteção para a população mais desprotegida.

O ministro citou ainda a liberação de R$ 200 bilhões de compulsório (dinheiro que os bancos são obrigados a deixar depositados no Banco Central), de R$ 100 bilhões da Caixa Econômica Federal e de R$ 50 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele mencionou a ajuda de R$ 88 bilhões para estados e municípios, anunciada no início da semana.

Segundo Guedes, se forem somadas as medidas listadas, que somam R$ 538 bilhões, mais as ações a serem anunciadas em breve, a ajuda chegará a R$ 700 bilhões nos próximos três meses.

O ministro não especificou o quanto desse total corresponde a recursos novos, decorrente de aumento de gastos públicos, e o quanto decorre de antecipação de benefícios ou do adiamento de pagamento de tributos, mas disse que o dinheiro ajudará o Brasil a enfrentar o que chamou de “primeira onda”, caracterizada pela pressão sobre o sistema de saúde.

 

Proteção

 

Numa primeira versão do vídeo, o ministro tinha explicado como funcionaria a complementação de salário proposta pelo governo para evitar demissões em massa. Inicialmente, o ministro tinha informado que a empresa pagaria 50% do salário do trabalhador, com o governo completando 25%. Para setores mais afetados, cujas receitas tendam a cair a zero durante o estado de calamidade pública, o governo aumentaria a complementação para 33%. Em nenhum dos casos, o trabalhador afastado temporariamente continuaria a receber 100% do salário.

Posteriormente, o ministério subiu uma nova versão do vídeo, sem as explicações de Guedes sobre a suspensão do contrato de trabalho. A assessoria do Ministério da Economia explicou que a proposta foi atualizada para aumentar a renda do trabalhador dispensado temporariamente.

Segundo a assessoria da pasta, o patrão de empresas que tiverem de interromper ou reduzir as atividades cortará parte do salário do trabalhador, com o governo complementando um percentual do seguro-desemprego a que a pessoa teria direito equivalente ao percentual de corte sofrido. Dessa forma, caso o empresário corte o salário em 50%, o governo entraria com 50% do seguro-desemprego. Se o empresário cortar 25% do pagamento, o governo complementa 25%.

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