Guedes fica mesmo avaliado com nota baixa

Apesar de abrir a possibilidade de aumentar a crise econômica e do desrespeito ao teto de gastos ou outras regras fiscais para bancar medidas eleitorais como o Auxílio Brasil, novo programa de renda básica social que sucederá o Bolsa Família, o presidente Jair Bolsonaro garantiu, nesta sexta-feira, que Paulo Guedes continua no governo para dar continuidade do que chamou agenda de reformas.

Alheio ao as elevadas quedas verificadas nos mercados depois da debandada de secretário no Ministério da Economia, Guedes disse que as mudanças no teto federal de gastos para financiar parte do Auxílio Brasil não abalarão os fundamentos fiscais do país. Em declaração conjunta ao lado do presidente Bolsonaro, disse preferir ter a gestão avaliada com uma nota mais baixa para ajudar a população mais vulnerável.

Nota 10

Entendemos os dois lados, mas não vamos tirar 10 em política fiscal e zero em política social. Preferimos tirar 8 em fiscal, em vez de tirar 10, e atender os mais frágeis”, afirmou o ministro. “Nós preferimos um ajuste fiscal um pouco menos intenso e um abraço do social um pouco mais longo. É isso que está acontecendo.”

A permanência de Guedes no comando da pasta ficou em dúvida depois dos pedidos de demissão dos secretários Bruno Funchal, do Tesouro e Orçamento e Jefferson Bittencourt, do Tesouro Nacional, além dos secretários-adjuntos Gildenora Dantas e Rafael Araújo.

Também defendeu o auxílio social de R$ 400 mensais às famílias mais vulneráveis, mesmo que, para isso, se extrapole o teto de gastos. Segundo o ministro, não há divergências sobre o valor, mas uma “falta de tolerância com o governo”.

Benefício social

De acordo com Guedes, o novo benefício social terá impacto de 1% do PIB nos gastos do próximo ano, adiando o ajuste fiscal. “Em vez de (gastar) 17,5% (do PIB) no ano que vem, que parece apertado demais, vamos ajudar os brasileiros e reduzir o ritmo do ajuste fiscal. (Agora) cai para 18,5% (em 2022)”, disse. O déficit primário – resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida pública – ficaria entre 1% e 1,5% do PIB no próximo ano, em vez de ser zerado.

A proposta original do Projeto da Lei Orçamentária de 2022 (Ploa), enviada no fim de agosto, previa déficit primário de 0,6% do PIB para o próximo ano. Com o impacto do Auxílio Brasil, o texto terá de ser alterado na Comissão Mista de Orçamento do Congresso (CMO).

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