Guedes mistura números ao cantar vitória

Em comum entre Brasil e EUA, a pior abordagem no enfrentamento à pandemia.

O ministro Paulo Guedes contou vantagem ao dizer que as medidas de redução da jornada e suspensão do contrato de trabalho preservaram 11 milhões de empregos no Brasil, com apenas 1,1 milhão engrossando a fila do seguro-desemprego no ano, enquanto nos Estados Unidos mais de 47 milhões de trabalhadores entraram com pedido de seguro desde o início das medidas de isolamento, em março. Mas será que se pode dizer que houve vantagem?

Os dois países têm sistemas de trabalho muito distintos. Nos EUA, a maioria trabalha sem qualquer garantia, recebendo por hora. Em um momento de forte e rápida contração, como agora, as demissões são imediatas. No Brasil, as dispensas de empregados com carteira assinada tem custo alto; medidas que evitem ou adiem as demissões são bem-vindas. Mas estamos falando de apenas 31,1 milhões de trabalhadores formais. Há pouco mais de 32 milhões de informais e 75 milhões fora da força de trabalho. Para estes, restam os R$ 600.

Portanto, são duas realidades distintas. Os quase 50 milhões de trabalhadores no seguro-desemprego nos EUA receberão até US$ 600 por semana durante quatro meses. Equivale a US$ 15 por hora em uma semana de 40 horas, pouco mais de duas vezes o salário mínimo por hora (US$ 7,15). Além disso, Trump enviou um chequinho de US$ 1,2 mil para cada chefe de família (casais ganham em dobro), mais US$ 500 por filho.

No Brasil, quem teve contrato suspenso ganhou no máximo R$ 1.813,13, cerca de 80% a mais que o salário mínimo e 25% a menos que a média salarial. O que a equipe econômica fez foi liberar o seguro-desemprego, evitando os custos de demissões para as empresas. Uma política inteligente – e que, diga-se, vai na contramão do que acreditam os integrantes do ministério de Guedes, a começar pelo ministro, que se articula para derrubar os direitos trabalhistas após o fim da crise, contratando nova crise.

O que os dois países têm em comum na crise, além de liderarem os números de casos e mortes por Covid-19, é a adoção de políticas de compensação da perda de renda inferiores a outras nações. No Reino Unido, autônomos receberão até 80% de seus salários, no valor máximo de até 2.500 libras (lá, o salário mínimo – SM – é de cerca de 1,3 mil libras). O plano é liberado para quem recebeu até 50 mil libras em 2018-2019, o que abrange 95% dos autônomos.

Na Alemanha, foram disponibilizados aos autônomos 5 mil euros a serem utilizados ao longo de três meses (SM de 1,5 mil). O Canadá liberou auxílio de 2 mil dólares canadenses pelos próximos quatro meses. Países como Espanha (SM 950) e Portugal (SM 741) também incluíram os autônomos nos pacotes de ajuda financeira, com auxílios na faixa de 1 mil. A França garantiu cerca 1,5 mil, e Dinamarca ajudará com 75% dos ganhos até 23 mil coroas dinamarquesas.

 

Vencer o vírus é possível

Diante da inoperância por parte do Governo Federal, entidades da Saúde organizadas na Frente pela Vida vão apresentar, nesta sexta-feira, o Plano Nacional de Enfrentamento à Covid-19. Elas afirmam que é possível, sim, o Brasil vencer o vírus e que não se pode naturalizar nenhuma morte evitável.

Respeito à ciência, competência técnica, capacidade gestora e responsabilidade política são os pilares que orientam o Plano, elaborado pela Abrasco, Cebes e CNS, entre outras entidades.

 

In natura

As companhias privadas que exploram o serviço de água na Inglaterra descarregaram, em rios, esgoto bruto em mais de 200 mil ocasiões no ano passado, de acordo com dados obtidos pelo jornal The Guardian. A liberação em córregos e rios somou mais de 1,5 milhão de horas.

 

Rápidas

Thiago Carvalho, advogado com mais de 12 anos de experiência em direito aeronáutico e aviação civil, passa a integrar o ASBZ, em um momento de expansão e consolidação da área de Aviação do escritório *** “Direito de defesa e júri virtual” é o tema do webinar Papo com o IAB que será realizado nesta quinta-feira, às 17h, no canal TVIAB no YouTube. Na sexta, às 11h, no perfil @iabnacional no Instagram, a conversa será sobre o tema “A racialização, o gênero e a modificação da legislação para a privatização do saneamento/água” *** O desembargador Gilson Soares Lemes assumiu nesta quarta-feira o cargo de presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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