Guedes, o sonhador, comanda pesadelo

Na mesma reunião ministerial (se é que pode ser assim chamada) em que desdenhou das pequenas empresas e defendeu vender logo a p. do Banco do Brasil, o ministro Paulo Guedes atacou quem defende o protagonismo do Estado na recuperação da economia. “Cadê o dinheiro para o governo fazer isso? Não tem! Então, quem está sonhando, é sonhador”, sentenciou.

Guedes falou após enumerar os investimentos privados, daqui e do exterior, que ele esperava: cem bilhões para saneamento, cem bilhões para petróleo, cem bilhões para mineração, duzentos bilhões para concessões… “Quinhentos bilhões”, bradou o ministro.

Longe dos sonhos de Guedes, a realidade é outra: nos últimos 12 meses saíram do Brasil mais de US$ 60 bilhões de investimentos no mercado financeiro, dos quais perto de US$ 30 bilhões em março e abril. Os investimentos produtivos (ainda que muito mascarados em empréstimos para posterior remessa de lucros) minguaram em 2019: a média de ingresso vinha na casa de US$ 80 bilhões por ano; caiu para US$ 50 bilhões em 2019 – primeiro ano de Guedes à frente do Ministério da Economia e sem qualquer relação com a crise do coronavírus. Somadas as perdas, quase cem bi – de dólares, ou os 500 bi de reais sonhados por Guedes.

A Covid-19, ao contrário, pode salvar as contas externas no curto prazo, como mostrado ontem no Monitor, pela queda nas importações e na remessa de lucros. Mas é temporário. A política do governo deixa especialistas temerosos de que há no horizonte uma crise no balanço de pagamentos. Já vimos esse filme. E foi na ditadura, período que parece inspirar a dupla Guedes–Bolsonaro.

 

Filme antigo

O novo contrato da concessão ferroviária da Malha Paulista representa um marco histórico para a infraestrutura brasileira, avalia o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. O contrato original, que venceria em 2028, foi renovado por mais 30 anos.

Antecipar renovações, sem esperar que a boa e velha concorrência faça seu papel, já resultou em problemas cabeludos em muitas ocasiões, que podem ser contadas nos dedos das mãos – de mil pessoas (e também nos dedos dos pés).

 

Turismo via objetos

Bayard Boiteux e Viviane Fernandes são os curadores da inédita exposição virtual Objetos Turísticos, que reúne mais de 90 peças. Os visitantes poderão apreciar as recordações de 120 viajantes. As peças vão desde copinhos de shot, pedra roseta, chapéus, vasos, quadros, esculturas até ímãs de geladeira, panelas e caixas.

Participaram da ação, dentre outros, Ana Botafogo, Éder Meneghine, Itamara Koorax e Claudio Castro, além do idealizador do projeto. Com a produção do portal Consultoria em Turismo Bayard Boiteux, o apoio da Sergio Castro Imóveis, da Fundação Cesgranrio, da Nice Via Ápia e da Escola Técnica Cieth, a exposição será permanente.

 

Fortuna chilena

Os deputados do Chile aprovaram terça-feira (26) taxação das grandes fortunas para financiar renda emergencial durante a pandemia. Seria cobrado 2,5% dos maganos que concentram 22,6% da riqueza. Os US$ 6 bi beneficiariam 4 milhões de pessoas. Depende agora do presidente Piñera.

 

Rápidas

As inscrições para a 23ª edição da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) foram prorrogadas em decorrência da pandemia e se encerram no próximo domingo. Escolas públicas e particulares podem se cadastrar *** A Aasp realiza nesta quinta, às 17h, webinar gratuito sobre “Direito do Trabalho em crise”, com a participação da ministra do TST Kátia Magalhães Arruda. Inscrições aqui *** O advogado criminalista Paulo Klein ministra a mentoria gratuita “Ecos da Liberdade” destinada a orientação do jovem advogado (formação da imagem, fixação de honorários, entre outros). São três vagas para advogados com até cinco anos de formados. Inscrição até 5 de junho em @paulokleinadvogados *** Ives Gandra Martins aborda a conjuntura brasileira em live da Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac), nesta sexta-feira, às 17h, no YouTube *** A Estratégia Concursos foi condenada em primeira instância pela Justiça de Belo Horizonte a indenizar em R$ 60 mil a ex-presidente Dilma Rousseff por danos moras e danos à imagem. O cursinho iniciou uma campanha publicitária em seu site que associava uma foto de Dilma ao texto “Como deixar de ser burro”.

 

 

 

 

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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